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Mais de 1 bilhão de pessoas vivem com transtornos mentais no mundo, aponta OMS

Entidade alerta para os sérios impactos humanos e econômicos da situação

Diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, destaca que "investir em saúde mental significa investir em pessoas, comunidades e economias
Diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, destaca que "investir em saúde mental significa investir em pessoas, comunidades e economias Foto : Mauro PIMENTEL / AFP/CP

Mais de 1 bilhão de pessoas vivem com algum transtorno mental, de acordo com os relatórios "World Mental Health Today" e "Mental Health Atlas 2024", divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A entidade alerta para os sérios impactos humanos e econômicos da situação e reforça a necessidade de ampliar globalmente os serviços de saúde mental.

Segundo os levantamentos, condições como ansiedade e depressão são os transtornos mais comuns, afetando desproporcionalmente as mulheres e representando a segunda maior causa de incapacidade de longo prazo. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, destaca que "investir em saúde mental significa investir em pessoas, comunidades e economias, um investimento que nenhum país pode se dar ao luxo de negligenciar".

Os desafios e o cenário atual

Apesar de alguns avanços, como a adoção de programas de promoção da saúde mental em muitos países, ainda há um longo caminho a percorrer. A OMS aponta os seguintes desafios:

Financiamento Insuficiente: Os governos gastam, em média, apenas 2% de seus orçamentos de saúde com saúde mental, um valor que não mudou desde 2017. Países de alta renda gastam US$ 65 por pessoa, enquanto os de baixa renda gastam apenas US$ 0,04.

Escassez de Profissionais: Há, em média, 13 profissionais de saúde mental para cada 100 mil pessoas globalmente, mas a escassez é crítica em países de baixa e média renda.

Falta de Leis Adequadas: Apesar de um avanço nas políticas e planejamentos, apenas 45% dos países têm leis de saúde mental em conformidade com os padrões internacionais de direitos humanos.

Atendimento Inadequado: O atendimento ainda está concentrado em hospitais psiquiátricos, com quase metade das internações sendo involuntárias e mais de 20% durando mais de um ano.

Suicídio: O suicídio causou cerca de 727 mil mortes em 2021, sendo uma das principais causas de morte entre jovens. A meta da ONU de reduzir as taxas em um terço até 2030 está longe de ser alcançada.

Prioridades e onde buscar ajuda

A OMS faz um apelo urgente para que governos e parceiros internacionais ampliem os esforços para transformar os sistemas de saúde mental. As prioridades incluem:

Financiamento equitativo: Garantir mais recursos para os serviços de saúde mental.

Reforma legal: Promover leis que respeitem os direitos humanos.

Capacitação profissional: Investir na formação e valorização dos trabalhadores da área.

Expansão de cuidados: Levar o atendimento para as comunidades.

Onde buscar ajuda

Se você ou alguém que você conhece está passando por sofrimento psíquico, procure ajuda nos seguintes serviços:

Centro de Valorização da Vida (CVV): Atendimento gratuito de apoio emocional 24 horas por dia pelo telefone 188, e-mail ou chat no site.

Canal Pode Falar: Escuta especializada para adolescentes e jovens de 13 a 24 anos. Contato via WhatsApp de segunda a sexta, das 8h às 22h.

SUS: Os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) oferecem atendimento gratuito para transtornos mentais.

Mapa da Saúde Mental: O site (https://mapasaudemental.com.br/) disponibiliza mapas com unidades de saúde e iniciativas de atendimento psicológico gratuito, presencial e online.