O secretário de Estado americano, Marco Rubio, mantém conversas secretas com o neto de Raúl Castro, em meio à pressão dos Estados Unidos sobre Cuba, informou nesta quarta-feira (18) o site americano Axios, citando três fontes anônimas.
O presidente americano, Donald Trump, declara abertamente que considera Cuba uma "nação falida" e insta Havana a firmar um acordo com os Estados Unidos. Trump descarta, no entanto, a ideia de uma operação destinada a derrubar o governo de Miguel Díaz-Canel.
A discrição nas negociações
Segundo o Axios, Rubio, que nasceu nos Estados Unidos, filho de pais cubanos, mantém essas conversas com Raúl Guillermo Rodríguez Castro à margem do governo cubano. No início de fevereiro, Trump afirmou que os Estados Unidos mantinham conversas com Cuba "no mais alto nível", mas o governo americano tem sido discreto e se recusa a fornecer detalhes sobre o conteúdo ou sobre com quem são realizadas.
O Departamento de Estado e a embaixada cubana em Washington se recusam a comentar a reportagem do Axios.
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Bloqueio e escassez em Cuba
Em janeiro, Washington impôs um bloqueio petrolífero à ilha, após o êxito obtido com a apreensão das exportações de petróleo da Venezuela, que levou a uma negociação com Caracas. Cuba denuncia a manobra e, em seguida, manifesta disposição para negociar. A ilha enfrenta uma grave escassez de combustível e cortes de energia constantes. Os Estados Unidos mantêm ainda um embargo comercial há décadas.
O papel de Raúl Castro
Raúl Castro, de 94 anos, retirou-se oficialmente de todas as funções decisórias, mas continua sendo uma figura central do poder e mantém a lealdade das Forças Armadas. Ele sucedeu o irmão Fidel em 2006 e lançou reformas inéditas, mas sem ceder o poder ou convocar eleições. Em meados da década de 2010, protagonizou uma aproximação efêmera com os Estados Unidos, que tampouco resultou em abertura política.
Perspectivas para a ilha
Cuba é um país que "está entrando em colapso, e por isso acreditamos que o melhor para eles é fazer mudanças drásticas muito em breve. Veremos o que decidem", declara nesta quarta-feira a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.