Autoridades iniciaram, neste domingo (4), uma operação para desalojar um grande assentamento irregular de migrantes em uma praia de Ceuta, a pouco mais de uma semana da visita dos reis da Espanha ao enclave norte-africano, confirmou a polícia à AFP.
"Está sendo realizada uma primeira fase de desocupação dos imigrantes" que se encontram na praia do Trampolín, informou uma porta-voz da Polícia Nacional em Ceuta.
Nessa praia foi instalado o maior assentamento irregular de migrantes após a entrada maciça de pessoas vindas do Marrocos no final de julho.
As autoridades calculam que ali estão estabelecidas 3.000 pessoas, que dormem em barracas improvisadas feitas com pedaços de madeira e lonas e recebem comida diariamente da Cruz Vermelha.
A operação é realizada sob fortes medidas de segurança, com cerca de 350 agentes da polícia, várias viaturas e o apoio de soldados e veículos militares blindados, informou a porta-voz.
Os migrantes serão levados para um centro de atendimento de estrangeiros para ser identificados e depois serão alojados em um acampamento temporário montado pelas autoridades, acrescentou a fonte.
É possível que não se consiga retirar todos os migrantes da praia, advertiu a porta-voz, já que o traslado será interrompido se "não houver mais vagas disponíveis" no acampamento.
O desalojamento do grande assentamento irregular ocorre antes da visita a Ceuta dos reis da Espanha, Felipe VI e Letizia, em 13 de outubro.
A viagem, a primeira que o monarca fará a Ceuta desde sua ascensão ao trono, em 2014, terá alto risco diplomático, uma vez que o Marrocos reivindica sua soberania sobre Ceuta e Melilla, outro enclave espanhol no Norte da África que também será visitado pelos reis.
Ceuta, que tem pouco mais de 80.000 habitantes, registrou nos dias 30 e 31 de julho a entrada maciça de mais de 70.000 migrantes vindos do Marrocos. Mais de uma centena deles morreu, principalmente no mar, segundo autoridades de Madri e Rabat.
A maioria retornou nas horas seguintes, mas outros milhares permaneceram na pequena cidade autônoma, onde a situação vem se deteriorando, dando lugar a tensões e a manifestações quase diárias da população local, que reivindica o retorno à normalidade.