O presidente da Argentina, Javier Milei, reiterou neste domingo (2) as acusações contra o mandatário do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, chamando-o de "ladrão" e "corrupto". As ofensas ocorrem uma semana depois de suas declarações provocarem uma crise diplomática entre as duas maiores economias da América do Sul.
"Ele é um ladrão, é um corrupto, foi condenado por roubo e corrupção, esteve preso, por isso também é verdade chamá-lo de presidiário. E não só isso: ele foi solto por uma falha administrativa no procedimento, não por ser inocente", disse o presidente ultraliberal em entrevista à emissora LN+.
Lula já se encontrou pela segunda vez com o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, na semanda passada. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, acompanhou a conversa, dedicada à crise diplomática com o governo de Javier Milei.
Bitelli apresentou a Lula um balanço da repercussão do caso na Argentina. Na avaliação transmitida ao presidente, o episódio “pegou muito mal para o Milei” no ambiente político local. O embaixador se baseou na reação de instituições e de lideranças argentinas à conduta do chefe de Estado vizinho.
As diferenças ideológicas marcam a relação entre os líderes desde a posse do argentino, mas esta é a primeira vez que o desgaste ganha contornos institucionais, com a convocação do embaixador brasileiro para consultas.
O estopim foi a convenção do Partido Liberal (PL), no dia 25, que confirmou a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, em São Paulo. No discurso de quase meia hora, Milei atacou instituições brasileiras e as políticas sociais do governo Lula. Chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de “lixo careca”, em referência à decisão que barrou sua visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Sem nomear o petista, usou os termos “presidiário”, “ladrão” e “lixo socialista”.
A primeira resposta partiu de Mauro Vieira, que qualificou as declarações como “ríspidas, grosseiras e inaceitáveis”. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, foi além e chamou o argentino de “palhaço”. “O palhaço do presidente da Argentina falou do Brasil quando o risco-País da Argentina é muito mais alto, a dívida pública é muito mais alta, a inflação é muito mais alta”, afirmou.