O primeiro-ministro espanhol, o socialista Pedro Sánchez, responde nesta quarta-feira (4) com um "não à guerra" às críticas do presidente americano Donald Trump.
Trump havia criticado a Espanha por não ceder suas bases aéreas para ataques ao Irã. "A posição do governo da Espanha resume-se em três palavras: não à guerra", disse Sánchez no Palácio da Moncloa, em Madri.
A declaração ocorreu um dia após Trump acusar a Espanha de se comportar "de maneira terrível" nesta crise.
Sánchez recorreu às palavras de ordem das grandes manifestações na Espanha contra a invasão do Iraque em 2003. Naquela época, o governo conservador de José María Aznar se alinhou ativamente aos Estados Unidos.
"Não seremos cúmplices de algo que é ruim para o mundo e também contrário aos nossos valores e interesses, simplesmente por medo das represálias de alguém", acrescentou Sánchez.
Sem mencionar nominalmente Trump, Sánchez criticou "líderes incapazes de melhorar a vida das pessoas".
Ele os acusou de usar a "cortina de fumaça da guerra para ocultar seu fracasso e, de passagem, encher os bolsos de poucos".
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Esse enfrentamento entre Sánchez e Estados Unidos soma-se à recusa espanhola em gastar cinco por cento de seu PIB em defesa, exigido por Trump aos aliados da Otan, e à tensão com Israel durante sua ofensiva em Gaza.
O socialista, a um ano das eleições gerais, lembrou a guerra do Iraque de 2003. Ele destacou que, longe de alcançar seus objetivos, ela "desencadeou a maior onda de insegurança que o nosso continente sofreu desde a queda do Muro de Berlim".
Sánchez recordou que a guerra do Iraque "gerou um aumento drástico do terrorismo jihadista, uma grave crise migratória no Mediterrâneo oriental e um aumento generalizado dos preços da energia".
A União Europeia afirmou nesta quarta-feira estar "preparada" para defender os seus interesses e os de seus Estados-membros. Isso ocorreu após Trump ter ameaçado cortar o comércio com a Espanha devido à recusa de Madri.
"Estamos plenamente solidários com todos os Estados-membros e todos os seus cidadãos e, por meio da nossa política comercial comum, estamos preparados para agir, se necessário, para salvaguardar os interesses da UE", advertiu o porta-voz da Comissão Europeia, Olof Gill, em comunicado.