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Navi Pillay dedica Nobel da Paz a "sobreviventes de crimes internacionais"

Juíza sul-africana ressalta que direito internacional e direitos humanos são alvo de ataques políticos

Navi Pillay fala a jornalistas após ter sido agraciada com o Prêmio Nobel da Paz de 2026
Navi Pillay fala a jornalistas após ter sido agraciada com o Prêmio Nobel da Paz de 2026 Foto : FRANK BOXLER / AFP

A recém-anunciada ganhadora do Nobel da Paz, a juíza sul-africana Navi Pillay, dedicou nesta sexta-feira (9) o seu prêmio aos "sobreviventes de crimes internacionais" em sua primeira aparição pública após o anúncio da premiação. Ela falou no histórico tribunal de Nuremberg, onde os líderes nazistas foram julgados após a Segunda Guerra Mundial.

"Talvez estivesse destinado que eu estivesse nesta histórica sala de audiências (...) quando o anúncio foi feito e fui informada sobre o prêmio", disse Pillay.

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A defesa do direito internacional

A juíza dedicou sua carreira à defesa do direito internacional e também denunciou os ataques contra as instituições jurídicas internacionais. "Vivemos em uma época em que o direito internacional e os direitos humanos são alvo de ataques políticos.

Essa degradação é particularmente visível nos ataques contra o Tribunal Penal Internacional", ressaltou.

Críticas ao TPI

No mês passado, o presidente americano, Donald Trump, pediu que todos os países que integram o Tribunal Penal Internacional (TPI) abandonassem a instituição. Ele acusou o TPI de estar "fora de controle".

"Os Estados Unidos também se opõem a essa instituição fora de controle que é o Tribunal Penal Internacional", declarou Trump da tribuna da Organização das Nações Unidas (ONU). "Exorto todos os países membros do TPI a se retirarem oficial e imediatamente", acrescentou.

Nesse sentido, Pillay afirmou nesta sexta-feira: "Minha mensagem aos líderes, aos dirigentes políticos, é que eles têm a obrigação legal de proteger os direitos humanos e de se abster de fazer a guerra".

Sua trajetória a levou dos tribunais sul-africanos, onde defendeu ativistas contra o Apartheid, como Nelson Mandela, e conquistou direitos fundamentais para presos políticos, até o Tribunal Penal Internacional para Ruanda, passando pelo TPI.

Ela presidiu a comissão encarregada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU de investigar violações de direitos humanos nos territórios palestinos e em Israel. Israel rejeitou categoricamente as conclusões da comissão, classificando-as como "distorcidas e falsas".