As negociações trilaterais entre Rússia, Ucrânia e Estados Unidos em Genebra encerraram o segundo dia nesta quarta-feira (18) após duas horas de diálogos. O chefe da delegação russa, Vladimir Medinski, descreveu as conversas como "difíceis, mas profissionais", confirmando que uma nova reunião deve ocorrer em breve.
Embora detalhes específicos não tenham sido revelados, o emissário americano Steve Witkoff afirmou que a mediação do governo Donald Trump gerou progressos importantes para deter o conflito mais violento na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
Grupos de trabalho e mediação de Washington
Diferente das rodadas infrutíferas em Abu Dhabi, os diálogos na Suíça foram organizados em grupos de trabalho para abordar questões políticas e militares de forma prática. Rustem Umierov, chefe da delegação ucraniana, destacou que informou aliados europeus (França, Reino Unido, Alemanha, Itália e Suíça) sobre os mecanismos de soluções discutidos.
A pressão da Casa Branca por um acordo rápido é intensa; Trump reiterou nesta semana a necessidade de Kiev e Moscou chegarem a um consenso antes que a guerra complete quatro anos na próxima semana.
Impasses territoriais e realidade no campo de batalha
Apesar do otimismo diplomático, o cenário terrestre permanece crítico. A Rússia ocupa cerca de 20% do território ucraniano e exige o controle total de Donetsk como pré-condição para a paz. Por outro lado, o presidente Volodimir Zelensky questiona a seriedade do Kremlin, denunciando o lançamento de 126 drones e mísseis balísticos contra a Ucrânia na última noite.
Zelensky alertou que uma paz duradoura não será alcançada se a "vitória" for entregue à Rússia, enquanto as forças ucranianas registraram recentemente sua recuperação territorial mais rápida em dois anos.
Próximos passos
As delegações retornam agora para consultar seus respectivos líderes sobre os pontos discutidos em Genebra. O sucesso da diplomacia americana em reunir as partes é visto por Washington como um passo fundamental, mas a questão da soberania territorial e as garantias de segurança continuam sendo os maiores obstáculos para um acordo final digno e duradouro.