Mundo

Nobel de Física Francis Halzen foi um pioneiro no uso da IA

Ganhador do Nobel utiliza inteligência artificial desde os anos 90 em pesquisas de neutrinos e partículas subatômicas

Halzen ganhou o Prêmio Nobel de Física por um trabalho revolucionário que utiliza o gelo do Polo Sul para capturar partículas provenientes do cosmos distante
Halzen ganhou o Prêmio Nobel de Física por um trabalho revolucionário que utiliza o gelo do Polo Sul para capturar partículas provenientes do cosmos distante Foto : ALTHEA DOTZOUR / UNIVERISTY OF WISCONSIN / AFP

O ganhador do Nobel de Física, Francis Halzen, explicou, nesta quarta-feira (7), que utiliza modelos de inteligência artificial desde a década de 1990. Tal abordagem permitiu acelerar suas pesquisas sobre neutrinos.

Este físico belga, de 82 anos, impulsionou o observatório de neutrinos IceCube, composto por 5.484 detectores ópticos instalados nas profundezas do gelo da Antártida.

"As primeiras redes neurais surgiram no final da década de 1980", explicou Francis Halzen em uma coletiva de imprensa na cidade italiana de Turim. Ele acrescentou: "Tenho muito orgulho de ter escrito um artigo em 1991 no qual propunha utilizar a IA para analisar os dados de uma parte do experimento da física clássica."

Halzen prosseguiu: "De vez em quando, usávamos redes neurais. E isso mudou há alguns anos, quando surgiram essas redes neurais tão potentes."

Avanços com redes neurais

O especialista destacou: "Foi apenas recorrendo às redes neurais e às técnicas de aprendizado de máquina que finalmente começamos a distinguir a Via Láctea em nossos dados; agora, já a identificamos com certeza."

O neutrino, uma partícula elementar abundante no universo, é difícil de detectar. Não possui carga elétrica, tem uma massa ínfima e atravessa, quase sem interagir, tudo o que se coloca em seu caminho.

A cada segundo, cerca de 65 bilhões de neutrinos provenientes do Sol atravessam a unha do dedo mindinho de cada um de nós. Aqueles que vêm das profundezas do espaço escondem pistas sobre certos mistérios cósmicos, como os buracos negros supermassivos situados no coração das galáxias.

Veja Também

"O que representaria um enorme impulso para a astronomia de neutrinos seria observar uma explosão de supernova em nossa própria galáxia", destacou Francis Halzen.

A importância da pesquisa fundamental

Sua pesquisa, que durou 35 anos e custou 250 milhões de dólares (1,24 bilhão de reais), foi financiada pela Fundação Nacional de Ciências dos Estados Unidos (NSF).

Em uma época em que as tecnologias aplicadas dominam a pesquisa, trata-se de um claro reconhecimento da "importância da pesquisa fundamental". Tal pesquisa visa "compreender a nossa natureza e as nossas origens", explicou Antonio Zoccoli, presidente do Instituto Italiano de Física Nuclear, com o qual Halzen colabora.

"As universidades se contentam em sobreviver; fazer ciência tornou-se mais difícil, mas não sou a pessoa adequada para falar sobre o assunto, pois meu projeto esteve protegido (...)." brincou o pesquisador.

Ele continuou: "Ontem eu estava redigindo um projeto de pesquisa; espero que isso me ajude a conseguir financiamento."

Ao ser questionado se sonhava em ganhar o Nobel quando criança, Francis Halzen respondeu: "Não, sou belga; eu queria ganhar o Tour de France."