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Olhos no Paquistão à espera de um desfecho

Irã e EUA têm encontro marcado para negociar fim da guerra no Oriente Médio

Bombardeios após a trégua já mataram 357 pessoas no Líbano
Bombardeios após a trégua já mataram 357 pessoas no Líbano Foto : Abbas Fakih / AFP / CP

O 43º dia do conflito no Oriente Médio começa com a expectativa de que Estados Unidos e Irã resolvam deixar as armas de lado após um encontro previsto para este sábado (10), no Paquistão. Porém, concomitantemente às negociações, o discurso belicista mantém a tensão elevada. As delegações de Washington e de Teerã chegaram a Islamabad nesta sexta-feira e iniciaram os preparativos. A capital paquistanesa está desde ontem sob forte esquema de segurança, e um lockdown foi decretado pelo país anfitrião. O local escolhido para as tratativas é conhecido: o luxuoso Hotel Serena, mas o horário do encontro não foi divulgado publicamente.

Nos bastidores, fontes ligadas ao Paquistão, mediador da tentativa de restabelecer a paz, afirmam que as conversas entre os dois países em guerra já estão em andamento. O objetivo é preparar o caminho para que o vice-presidente dos EUA, JD Vance, e o chanceler do Irã, Abbas Araghchi, cheguem a um acordo sólido, diferente do inócuo cessar-fogo da última semana.

CONTRADIÇÕES

Se, por um lado, os atores da guerra concordam em ficar cara a cara por um alegado interesse mútuo na pacificação, os líderes de ambas as nações adotam tom completamente oposto diante dos microfones e dos palanques criados pelas redes sociais. Ao mesmo tempo em que envia o vice-presidente para Islamabad, Donald Trump prepara seu Exército para novos ataques ao Irã, dias após sugerir “exterminar uma civilização inteira”. Em resposta, os líderes de Teerã prometem “vingança e retaliação”, aumentando o temor de que a crise se estenda no longo prazo.

De volta à mesa de negociação, JD Vance diz esperar um resultado “positivo” das conversas sobre a paz. Por sua vez, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, condiciona as negociações ao desbloqueio dos ativos de seu país e a um cessar-fogo no Líbano, uma vez que Israel persiste em sua agenda de bombardeios.

No terreno, o governo iraniano confirmou a morte do ex-chanceler Kamal Kharazi, 81 anos, em ataque promovido pelos Estados Unidos e por Israel em 1º de abril, informou a mídia iraniana. E, na madrugada desta sexta-feira, foram acionados mais de uma dezena de alertas aéreos por foguetes no norte de Israel, perto da fronteira com o Líbano, informaram autoridades israelenses.

BOMBARDEIOS

As Forças de Defesa de Israel (FDI) emitiram alerta para evacuação de toda a área densamente povoada de Al-Janah (ou Jnah), em Beirute, capital do Líbano, onde estão dois dos maiores hospitais do país, o Hospital Universitário Rafik Hariri e o Hospital Al Zahraa. A ação foi condenada pela Organização Mundial da Saúde.

O tráfego continuava limitado, nesta sexta-feira, no Estreito de Ormuz e centenas de navios mercantes seguem bloqueados no Golfo. Apenas 16 embarcações de transporte de matérias-primas cruzaram o estreito desde quarta-feira.