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ONU: Aumento de conflitos cria “deserto de direitos humanos”

Alto Comissário da ONU para Direitos Humanos, Volker Türk, expressa preocupação com a normalização do uso da força para resolver disputas e o risco global

Volker Türk: "Não podemos retornar à violência como princípio organizador"
Volker Türk: "Não podemos retornar à violência como princípio organizador" Foto : Fabrice Coffrini / AFP

O chefe de direitos humanos da ONU expressou, nesta sexta-feira (27), sua preocupação com a normalização do uso da força para resolver disputas. Ele alertou que o aumento dos conflitos está criando um "deserto de direitos humanos" no mundo.

"Não podemos retornar à violência como princípio organizador", afirmou Volker Türk ao apresentar uma atualização sobre a situação dos direitos humanos globais. O Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos enfatizou que "a ameaça e o uso da força para resolver disputas estão se tornando mais frequentes e normalizados".

"O número de conflitos armados quase dobrou desde 2010, chegando a cerca de 60", disse ao Conselho de Direitos Humanos da ONU. "O mundo está se tornando um lugar mais perigoso. Ninguém em sã consciência quer isso", enfatizou Türk.

Ele alertou que uma das principais causas da tendência é a competição cada vez mais implacável pelo poder em detrimento dos direitos humanos. "Os atores estão competindo pelo controle de terras, energia e atenção. Mas com que propósito?", questionou.

"Dominar a economia global? Acumular mais poder? Colocar inteligência artificial no espaço? O poder deve servir a outros propósitos", destacou o chefe de direitos humanos.

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Türk criticou os líderes que "usam o poder para fins próprios, explorando e subjugando populações". Ele acrescentou que é "desconcertante que os líderes políticos não estejam tomando medidas urgentes para reverter as tendências atuais".

Ataque a instituições e dessensibilização

Alguns líderes estão até mesmo "atacando as instituições criadas para nos manter seguros", denunciou Türk. Entre elas, ele citou as Nações Unidas, a Corte Internacional de Justiça, o Tribunal Penal Internacional e o próprio Conselho de Direitos Humanos e seus mecanismos.

O Alto Comissário também lamentou uma aparente dessensibilização às violações do direito internacional. Ele lembrou que, há uma década, "um ataque a um hospital provocaria uma indignação global".

No entanto, "dados recentes mostram que agora há uma média de 10 ataques a serviços de saúde por dia", ressaltou. "O mundo não pode ficar de braços cruzados enquanto o direito internacional humanitário e o sistema de direitos humanos são desmantelados diante dos nossos olhos", concluiu Türk.