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Opositor González viaja à Argentina enquanto Venezuela oferece US$ 100 mil por sua captura

Político prometeu retornar ao país para "tomar posse" em 10 de janeiro no lugar de Maduro

Urrutia se exilou na Espanha
Urrutia se exilou na Espanha Foto : Federico Parra / AFP / CP

O opositor venezuelano Edmundo González Urrutia, que reivindica a vitória sobre Nicolás Maduro nas eleições de 28 de julho, viaja para a Argentina a partir de seu exílio em Madri, no momento em que as autoridades venezuelanas oferecem uma recompensa de US$ 100 mil (R$ 620 mil) por informações que levem à sua captura.

A notícia da viagem vem à tona no momento em que as relações entre os dois países estão ainda mais tensas por causa de um gendarme argentino detido na Venezuela.

O líder opositor, que se exilou na Espanha em setembro e prometeu retornar ao país para "tomar posse" em 10 de janeiro no lugar de Maduro, chegará possivelmente nesta sexta-feira a Buenos Aires, confirmou à AFP uma fonte da Presidência argentina, sem fornecer mais detalhes.

"Começa nosso giro pela América Latina. Primeira parada: Argentina", escreveu González na rede X, ao compartilhar um comunicado no qual informa que se reunirá na manhã de sábado com o presidente argentino Javier Milei na Casa Rosada (sede do governo) e convoca os venezuelanos a se reunirem na famosa Praça de Maio.

Também nesta quinta, as autoridades venezuelanas anunciaram a recompensa de US$ 100 mil pelo opositor. "Procurado. Ordem de captura. Recompensa: US$ 100.000", diz um cartaz publicado nas redes sociais pela polícia científica com a foto de González.

Fontes judiciais confirmaram à AFP que o cartaz será afixado em aeroportos e barreiras policiais em todo o país. No dia 20 de dezembro, a Espanha concedeu asilo político a González, acusado pelo Ministério Público venezuelano de crimes como "conspiração" e "associação criminosa".

As autoridades eleitorais proclamaram Maduro reeleito para um terceiro mandato consecutivo de seis anos (2025-2031), sem divulgar até o momento detalhes da apuração, enquanto a oposição denuncia fraude e reivindica a vitória de González.

A Argentina não reconhece a reeleição de Maduro, assim como os Estados Unidos, a União Europeia e vários países da América Latina.

Gendarme detido

O Ministério das Relações Exteriores da Argentina anunciou mais cedo nesta quinta-feira que denunciou a Venezuela ao Tribunal Penal Internacional (TPI) pela "detenção arbitrária e o desaparecimento forçado" de um gendarme argentino preso e acusado de "terrorismo" pelo Ministério Público venezuelano.

A Argentina apresentou a denúncia ao tribunal com sede em Haia no caso de Nahuel Gallo, de 33 anos, detido em 8 de dezembro de 2024 na Venezuela, e acusou "o procurador-geral Tarek William Saab", detalhou em comunicado.

O chanceler venezuelano, Yván Gil, classificou a denúncia de "espetáculo penoso". "Os funcionários do governo fantoche de Milei, que estão envolvidos com uma agenda de extrema direita golpista e terrorista contra a Venezuela, usam ações diplomáticas erráticas para justificar seu próprio fracasso", acusou.

Uma fonte oficial venezuelana compartilhou fotos e vídeos de Gallo em uniforme de presidiário, caminhando por uma quadra esportiva. "Prova de vida do gendarme Gallo. Dia: 2 de janeiro de 2025", disse à AFP a fonte, que reiterou que ele está em Caracas, mas sem detalhar o centro de reclusão.

Pouco depois da divulgação da prova de vida, a diplomacia argentina informou que havia pedido medidas cautelares em favor de Gallo perante a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), um mecanismo de proteção deste órgão da Organização dos Estados Americanos (OEA), ao considerar que havia "risco iminente para a vida e integridade" do gendarme.

A relação diplomática entre Milei e Maduro já era tensa, mas se rompeu definitivamente com o não reconhecimento do resultado eleitoral na Venezuela. Desde março, a embaixada argentina em Caracas - que passou a ser protegida pelo Brasil - tem servido de refúgio para seis colaboradores da opositora María Corina Machado, acusados de "terrorismo".

No dia 20 de dezembro, um deles renunciou ao asilo e deixou a embaixada para se entregar às autoridades. Os cinco restantes aguardam um salvo-conduto para deixar o país.

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"Lealdade absoluta"

A proclamação de Maduro desencadeou protestos que deixaram 28 mortos e cerca de 200 feridos, além de 2.400 detidos. Três dos presos morreram na prisão e aproximadamente 1.400 foram libertados sob condicional.

Maduro — para quem as denúncias de fraude da oposição fazem parte de um plano de "golpe de Estado" — se prepara para tomar posse com o apoio das Forças Armadas, cujo alto comando declarou "lealdade absoluta" a ele.

Por sua vez, junto a González Urrutia, Corina Machado convocou da clandestinidade, na terça-feira, protestos visando a posse, mas sem fornecer mais detalhes da convocação. A oposição publicou em um site cópias de atas eleitorais com as quais reivindica a vitória de González, enquanto o governo nega a validade desses documentos.