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Paquistão bombardeia Cabul e declara guerra aberta ao Talibã

Conflito escala após dias de tensões e confrontos na fronteira, com Islamabad acusando o Talibã de proteger militantes armados

Em resposta, o governo Talibã anunciou a retomada de operações ofensivas de larga escala
Em resposta, o governo Talibã anunciou a retomada de operações ofensivas de larga escala Foto : AFP

O Paquistão lançou uma ofensiva aérea massiva contra o Afeganistão nesta sexta-feira (27), atingindo a capital Cabul e a cidade de Kandahar. O ministro da Defesa paquistanês, Khawaja Asif, declarou formalmente "guerra aberta" ao país vizinho, alegando que a paciência de Islamabad chegou ao limite. A escalada ocorre após dias de confrontos na fronteira e meses de tensões crescentes, com o Paquistão — uma potência nuclear — acusando o governo Talibã de proteger militantes armados que realizam ataques em solo paquistanês, acusação que Cabul nega.

A ofensiva militar atingiu inclusive áreas sensíveis, como o campo de Omari, que abriga afegãos repatriados perto da passagem fronteiriça de Torkham. Relatos indicam pânico entre civis e feridos, incluindo mulheres e crianças, além do desaparecimento de pessoas em meio aos disparos de artilharia.

Em resposta, o porta-voz do governo Talibã, Zabihullah Mujahid, anunciou a retomada de operações ofensivas de larga escala, alegando ter infligido baixas severas às tropas paquistanesas e capturado postos avançados, versão que foi prontamente desmentida pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif.

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O agravamento do conflito mobilizou potências regionais. A China pediu moderação e um cessar-fogo imediato para evitar mais derramamento de sangue, enquanto o Irã, que também faz fronteira com os dois países, ofereceu-se para mediar o diálogo.

A situação é complexa, pois Teerã também tenta evitar um conflito direto com os Estados Unidos em outras frentes diplomáticas. A instabilidade é acentuada pela atuação do grupo Estado Islâmico Khorasan (EI-K), que opera em ambos os territórios e se beneficia do vácuo de segurança gerado pelas hostilidades entre as nações vizinhas.

As relações entre Islamabad e Cabul, historicamente cordiais, deterioraram-se drasticamente desde o retorno do Talibã ao poder em 2021. Além dos enfrentamentos militares, as fronteiras permanecem fechadas para o comércio, agravando a crise humanitária no Afeganistão.

O fracasso de acordos anteriores, mediados por Catar e Turquia, deixa a região em um estado de alerta máximo, com o governo paquistanês reiterando que os ataques aéreos são uma "resposta adequada" às supostas provocações afegãs e aos recentes atentados suicidas em território paquistanês.