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Petro diz temer “guerra civil” na Colômbia após suposta fraude eleitoral

Mandatário classificou sucessor, De Espriella, de “ilegítimo” em suas acusações

Político de esquerda ataca o que chama de "fraude algoritimica" a favor do opositor eleito
Político de esquerda ataca o que chama de "fraude algoritimica" a favor do opositor eleito Foto : Foto porLUIS ACOSTA / AFP

O presidente em fim de mandato da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou nesta segunda-feira (3) ter provas de uma fraude nas eleições presidenciais em que seu candidato foi derrotado. Segundo ele, a chegada ao poder do ultradireitista Abelardo de la Espriella pode desencadear uma "guerra civil" no país.

De la Espriella, de 48 anos, tomará posse na próxima sexta-feira em uma cerimônia legislativa na cidade de Cali, rompendo com a tradição centenária de realizar a solenidade em Bogotá, diante do Congresso. "Estamos diante de uma fraude e de um problema institucional indubitavelmente profundo, que é a posse de um presidente ilegítimo", declarou Petro durante entrevista concedida no palácio presidencial, em Bogotá.

De acordo com o mandatário, o segundo turno foi marcado por uma "fraude eleitoral algorítmica, sistemática e sobre um volume de votos enorme", supostamente articulada do exterior contra o candidato de esquerda Iván Cepeda. Petro também afirmou que "dinheiro estrangeiro e empresas estrangeiras" teriam interferido no resultado da eleição.

Antes do pleito, De la Espriella recebeu o apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Petro, que frequentemente denuncia a suposta "ingerência" de Trump na política colombiana, sugeriu que o presidente eleito pretende extraditá-lo para os Estados Unidos com base em acusações falsas.

O presidente ainda previu um cenário de forte instabilidade política diante da rejeição que algumas medidas do próximo governo poderiam provocar. "Está muito claro o que pode vir a ser uma guerra civil na Colômbia", afirmou.

A bancada de esquerda no Congresso, liderada por Cepeda, anunciou que não comparecerá à cerimônia de posse de De la Espriella. O grupo também convocou manifestações para o mesmo dia em Bogotá, Cali e Barranquilla.

Setores da direita demonstram preocupação com a possibilidade de uma nova onda de protestos semelhantes aos atos apoiados por Petro contra o então presidente Iván Duque, entre 2019 e 2021, que resultaram em dezenas de mortes.