A polícia israelense impediu o Patriarca Latino de Jerusalém, o cardeal Pierbattista Pizzaballa, de entrar na Igreja do Santo Sepulcro para celebrar a missa de Domingo de Ramos. Segundo o gabinete do premiê israelense, a ação ocorreu devido a preocupações com a "segurança". O episódio, que marca o início da Semana Santa para a Igreja Católica e ocorreu neste domingo, 29, foi condenado por Itália, França, Espanha e Brasil.
O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, classificou o incidente como um ataque à "liberdade religiosa". O Patriarcado Latino, uma diocese católica com fiéis em Israel, nos territórios palestinos, na Jordânia e no Chipre, informou que a polícia impediu a entrada de Pizzaballa e do pároco na Igreja do Santo Sepulcro quando eles pretendiam celebrar a missa do Domingo de Ramos.
"Como resultado, e pela primeira vez em séculos, os dirigentes da Igreja foram impedidos de celebrar a missa do Domingo de Ramos na Igreja do Santo Sepulcro", diz um comunicado do Patriarcado.
A diocese afirmou que os religiosos se deslocavam sozinhos, e não em procissão, quando tiveram a passagem bloqueada e foram obrigados a retornar.
"Este incidente constitui um grave precedente e demonstra uma falta de consideração pela sensibilidade de bilhões de pessoas em todo o mundo que, durante esta semana, voltam seus olhos para Jerusalém", destacou o Patriarcado Latino.
Desde que a guerra eclodiu no Oriente Médio em 28 de fevereiro, as autoridades israelenses proibiram grandes aglomerações, inclusive as programadas para sinagogas, igrejas e mesquitas. Os atos públicos estão limitados a 50 pessoas.
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Diplomacia brasileira critica ação
O Brasil condenou a ação da polícia de Israel. Em nota à imprensa, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) do Brasil lembrou que as restrições da polícia israelense vêm ocorrendo ao longo das últimas semanas e afetam também a Esplanada das Mesquitas, que recebe fiéis muçulmanos, durante o mês sagrado do Ramadã, marcado por jejum, orações e caridade.
O governo brasileiro recordou o parecer consultivo da Corte Internacional de Justiça de 19 de julho de 2024 que concluiu que a continuada presença de Israel no Território Palestino Ocupado é ilícita.
“Aquele país [Israel] não está habilitado a exercer soberania em nenhuma parte do Território Palestino Ocupado, incluindo Jerusalém Oriental”, frisa a nota do Ministério das Relações Exteriores.
O Itamaraty classificou as ações recentes como de "extrema gravidade" e contrárias ao status quo histórico dos locais sagrados em Jerusalém e ao princípio da liberdade de culto.
*Com informações da AFP e da Agência Brasil