Dezenas de policiais de Rosário, na Argentina, continuam em vigília nesta quarta-feira (11) reivindicando reajustes salariais e assistência à saúde mental. O movimento, iniciado na última segunda-feira, ganhou força após a falta de avanços nas negociações com o governo da província de Santa Fé.
Manifestantes, incluindo agentes reformados e familiares, realizam protestos com queima de pneus em frente à chefia de polícia da cidade, que enfrenta os maiores índices de criminalidade do país.
Impasse nas negociações
Gabriel Sarla, mediador e advogado dos manifestantes, confirmou que as reuniões com o governo provincial terminaram sem propostas concretas para a pauta salarial. O clima de descontentamento é agravado pela suspensão de 20 agentes que aderiram ao movimento, os quais foram obrigados a entregar armas e coletes.
Embora o Ministério da Justiça e Segurança de Santa Fé garanta a operacionalidade do policiamento em Rosário, o governo admite dificuldades na manutenção da normalidade total em uma cidade de 1,3 milhão de habitantes.
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Alerta para suicídios
A insatisfação da tropa atingiu o ápice após a recente morte do suboficial Oscar Valdez, o mais novo caso em uma série de suicídios na corporação de Santa Fé em 2025. Cartazes exibidos nos protestos vinculam a precariedade salarial — com relatos de soldos de 1.000.000 de pesos (cerca de R$ 3.700) — à deterioração psicológica dos oficiais. Segundo relatos de familiares à AFP, a pressão institucional e a necessidade de realizar trabalhos extras ("bicos") para sustentar suas famílias têm gerado um cenário insustentável de estresse e depressão.
O ministro da Justiça e Segurança, Pablo Cococcioni, alertou que não permitirá o uso da instituição policial para minar as políticas de segurança pública. Paralelamente, a Justiça local investiga os policiais afastados por supostas irregularidades durante as manifestações. Rosário, estratégica para o setor agroexportador, encerrou 2025 com uma taxa de 5,7 homicídios por 100 mil habitantes — um dos menores registros da década, mas ainda sob a sombra da violência do narcotráfico e de ameaças a figuras públicas como Lionel Messi e Ángel Di María.