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Presidente de Bangladesh dissolve o Parlamento

Ex-primeira-ministra e líder opositora de Bangladesh, Khaleda Zia, foi libertada

Manifestações começaram após a reintrodução de um sistema de cotas que reservava mais da metade dos empregos públicos para determinados grupos
Manifestações começaram após a reintrodução de um sistema de cotas que reservava mais da metade dos empregos públicos para determinados grupos Foto : OLYMPIA DE MAISMONT / AFP

O presidente de Bangladesh, Mohamed Shahabuddin, dissolveu o Parlamento nesta terça-feira (6), anunciou o porta-voz da presidência. Essa era uma das principais exigências da mobilização estudantil que provocou a queda da primeira-ministra Sheikh Hasina.

Já a ex-primeira-ministra e líder opositora de Bangladesh, Khaleda Zia, foi libertada nesta terça-feira, após anos de prisão domiciliar, anunciou seu partido.

A libertação de Zia é uma consequência direta da renúncia de Sheikh Hasina, sua inimiga política, como chefe de Governo. 'Ela já está livre', declarou o porta-voz do Partido Nacional Bangladesh, A.K.M. Wahiduzzaman, um dia após a renúncia de Hasina. O Exército assumiu o comando do governo do país.

Zia, 78 anos, foi condenado em 2018 a 17 anos de prisão por corrupção. A política de oposição também passou um período hospitalizada.

O presidente de Bangladesh ordenou na segunda-feira a libertação de Zia e de outras pessoas detidas durante os protestos que provocaram a queda de Hasina.

Reunião entre exército e líderes estudantis

Nesta terça, o comandante do Exército de Bangladesh se reunirá com os líderes estudantis das manifestações. Centenas de pessoas morreram quando as forças de segurança conter as manifestações das últimas semanas, que cresceram a tal ponto que Hasina fugiu de Bangladesh na segunda-feira, depois de passar 15 anos no poder.

O comandante do Exército, general Waker-Uz-Zaman, anunciou a formação em breve de um governo provisório, prometendo reparar 'todas as injustiças' e suspender o toque de recolher no país.

O líder do movimento estudantil que iniciou os protestos, Nahid Islam, afirmou que o governo interino deve ser liderado por Mohammad Yunus, economista e empreendedor social que venceu o Nobel da Paz em 2006, 'que é amplamente aceito'.

Yunus, de 84 anos, não comentou o pedido, mas declarou, em uma entrevista ao jornal indiano The Print que, com Hasina, 'Bangladesh era um país ocupado'.

'Hoje, toda a população de Bangladesh se sente libertada', acrescentou na entrevista. Milhões de bengaleses lotaram as ruas de Daca após o anúncio da fuga da primeira-ministra.

'O país sofreu muito, a economia foi afetada, muitas pessoas morreram - é hora de parar a violência', afirmou o general Waker na segunda-feira, pouco depois de uma multidão invadir a residência oficial de Hasina e saquear o local.

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A polícia anunciou que pelo menos 109 pessoas morreram na segunda-feira, quando a multidão atacou aliados de Hasina.

Ao menos 409 pessoas morreram desde o início dos protestos em 1º de julho, segundo um balanço da AFP baseado em informações divulgadas pela polícia, autoridades e fontes médicas.

As manifestações começaram após a reintrodução de um sistema de cotas que reservava mais da metade dos empregos públicos para determinados grupos.

A iniciativa motivou pedidos de renúncia de Hasina, acusada de usar o aparato estatal para permanecer no poder, inclusive com o assassinato de seus opositores.

O paradeiro de Hasina não foi confirmado. A imprensa indiana informou que seu helicóptero pousou em uma base militar perto de Nova Délhi.