O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, sob pressão após a demissão do seu chefe de gabinete e do seu diretor de comunicação, devido aos vínculos do seu ex-embaixador nos Estados Unidos com Jeffrey Epstein, não cogita deixar o cargo e está "focado" em seu trabalho.
Questionado se Starmer poderia renunciar nesta segunda-feira (9), um dos seus porta-vozes respondeu negativamente e afirmou que o primeiro-ministro trabalhista está "focado no seu trabalho" e "dedicado a implementar mudanças por todo o país".
Os pedidos por sua renúncia aumentaram dentro de seu próprio partido e o líder do Partido Trabalhista escocês, Anas Sarwar, pediu que Starmer deixasse o cargo nesta segunda-feira.
"Essa distração precisa parar; a liderança em Downing Street precisa mudar", declarou Sarwar após o escândalo sobre os vínculos entre o criminoso sexual Jeffrey Epstein e o seu ex-embaixador em Washington, Peter Mandelson, nomeado pelo governo de Starmer.
Após a ofensiva de Sarwar, Downing Street insistiu que o primeiro-ministro, no cargo desde julho de 2024, cumprirá o "mandato de cinco anos dado pelo povo britânico para promover a mudança".
Vários ministros do gabinete expressaram sua discordância com Sarwar, incluindo a ministra das Finanças, Rachel Reeves; a ministra das Relações Exteriores, Yvette Cooper; o ministro da Justiça, David Lammy, e a ministra do Interior, Shabana Mahmood, manifestando seu apoio ao primeiro-ministro.
Mas o líder trabalhista sofreu outro revés nesta segunda-feira com a renúncia de Tim Allan, seu diretor de comunicação.
"Decidi me afastar para permitir a formação de uma nova equipe em Downing Street", declarou Allan em um comunicado, menos de 24 horas após a renúncia do chefe de gabinete de Starmer, Morgan McSweeney.
O governo de Starmer está mergulhado em uma crise sem precedentes após as revelações mais recentes sobre as relações entre o ex-embaixador nos Estados Unidos e Epstein.
Vínculos Epstein-Mandelson
O chefe de gabinete de Starmer, Morgan McSweeney, renunciou no domingo por ter "aconselhado" o primeiro-ministro a nomear Mandelson como embaixador em Washington, apesar das suas relações com Epstein.
"A nomeação de Peter Mandelson foi um erro (...) Aconselhei o primeiro-ministro a fazer essa nomeação e assumo a responsabilidade", anunciou McSweeney.
Mandelson, de 72 anos, foi nomeado embaixador em 2024, quando sua relação com Epstein já era conhecida, embora sem a profundidade demonstrada nos documentos recém-revelados.
Mandelson é uma das figuras envolvidas nas últimas revelações sobre vínculos com o falecido financista americano, que se suicidou na prisão em 2019, quando enfrentava acusações de tráfico de menores para fins sexuais.
As trocas de e-mails entre Epstein e Mandelson evidenciaram amizade, transações financeiras, fotos privadas, além de indícios de que o diplomata britânico compartilhou informação confidencial com o financista há quase duas décadas.
"Lamento ter acreditado nas mentiras de Mandelson e tê-lo nomeado", declarou Starmer na semana passada.
A líder da oposição conservadora, Kemi Badenoch, aumentou nesta segunda-feira a pressão sobre o dirigente trabalhista. "Ter sido mal aconselhado não pode ser uma boa desculpa para um dirigente", destacou Badenoch durante uma entrevista à BBC Radio 4.
"Sua posição agora é insustentável. Os assessores aconselham, os dirigentes decidem. Ele tomou uma má decisão e deve assumir as suas responsabilidades", declarou Badenoch.