A queda do agora ex-príncipe Andrew, motivada por novos desdobramentos do caso Jeffrey Epstein, desencadeou uma investigação parlamentar inédita sobre as finanças da família real britânica. A Comissão de Contas Públicas do Parlamento investiga o "aluguel simbólico" que Andrew pagou por duas décadas pela Royal Lodge, em Windsor.
O ex-membro da realeza deixou a residência de 30 cômodos nesta segunda-feira (2), por ordem do rei Charles III, transferindo-se para Sandringham após a divulgação de fotos e documentos que reforçam seu envolvimento com o criminoso sexual morto em 2019.
O impacto nas contas públicas e a Crown Estate
O cerne da investigação é a gestão da Crown Estate, entidade que administra as propriedades da Coroa e transfere seus lucros ao Tesouro britânico. O presidente da comissão, Geoffrey Clifton-Brown, alerta que contratos de aluguel subfaturados reduzem o superávit anual da entidade, representando um custo direto ao contribuinte.
Especialistas apontam que a iniciativa rompe a histórica deferência do Parlamento à realeza, sinalizando uma demanda crescente por transparência institucional.
Gastos recordes e a promessa de "monarquia enxuta"
Apesar do discurso do Rei Charles III sobre reduzir a estrutura da família real britânica, os custos oficiais apresentam alta expressiva. A "Sovereign Grant", verba destinada às funções e manutenção das residências reais, saltou de £ 7,9 milhões em 2011 para £ 132,1 milhões (cerca de R$ 942 milhões) no período 2025-2026.
A previsão para o próximo biênio é de que o valor alcance £ 137,9 milhões. Esse aumento está atrelado aos lucros recordes da Crown Estate com parques eólicos, dos quais a monarquia recebe uma fatia proporcional.
Debate sobre isenções e retorno econômico
O custo real da monarquia divide opiniões no Reino Unido. Enquanto defensores destacam os £ 5 bilhões transferidos aos cofres públicos na última década e o impacto positivo no turismo, críticos como o ex-deputado Norman Baker denunciam isenções fiscais "obscenas" e a falta de clareza sobre os gastos totais.
Para analistas, a investigação sobre Andrew Mountbatten-Windsor é o catalisador de uma mudança estrutural na forma como o público e o Estado avaliam o sustento da Coroa.