A reconstrução da Venezuela após os terremotos devastadores do mês passado levará anos, alertou a Federação Internacional de Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV) nesta sexta-feira (24). Exatamente um mês após o desastre de 24 de junho, milhares de pessoas com doenças crônicas seguem sem acesso regular a tratamentos, pressionando um sistema de saúde já no limite de sua capacidade.
"A recuperação aqui será medida em anos, não em semanas. Esta catástrofe está longe de ter terminado", declarou o porta-voz da FICV, Scott Craig, em coletiva em Genebra.
Balanço humanitário e infraestrutura colapsada
A Cruz Vermelha contabiliza mais de 5 mil mortos, 17 mil feridos e cerca de 23 mil pessoas vivendo em abrigos temporários. Muitas famílias dependem exclusivamente de água engarrafada para suprir necessidades básicas. Além do impacto físico, a entidade destaca o abalo psicológico sobre os sobreviventes, que enfrentam quadros graves de ansiedade, insônia e luto pela perda de parentes, casas e empregos.
Os abalos sísmicos de magnitude 7,5 e 7,2 atingiram o norte de Caracas e destruíram centenas de edificações, com severo impacto no estado costeiro de La Guaira. A tragédia provocou a destruição ou danos graves em postos de saúde, escolas e redes de água, eletricidade e esgoto. Um mês após os tremores, enquanto buscas por corpos sob os escombros continuam, as operações concentram-se na assistência humanitária.
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Apelo por financiamento contínuo
As prioridades imediatas da FICV incluem assistência médica, apoio em saúde mental e fornecimento de água potável. A organização busca arrecadar US$ 60 milhões (cerca de R$ 304,8 milhões) para prestar auxílio a 300 mil pessoas ao longo de dois anos, mas arrecadou até o momento apenas 25% desse montante.
"Solicitamos financiamento contínuo e flexível que possa acompanhar as famílias ao longo de todo o processo de recuperação, e não apenas durante as semanas em que as câmeras estão presentes", conclamou Craig.