O Reino Unido convocou nesta quarta-feira o encarregado de negócios de Israel e exigiu a suspensão imediata de um projeto de assentamento na Cisjordânia. A medida ocorreu após autoridades israelenses abrirem uma licitação para a construção de mais de 1.200 casas na região.
O plano E1, autorizado por Israel no ano passado, prevê aproximadamente 3.400 moradias em uma área entre Jerusalém e o assentamento de Maale Adumim. O projeto é alvo de condenação internacional e, segundo o secretário-geral da ONU, António Guterres, representa "uma ameaça existencial" à possibilidade de criação de um Estado palestino territorialmente contíguo.
A iniciativa ampliaria a separação entre a Cisjordânia e Jerusalém Oriental, território ocupado e anexado por Israel, onde a população é predominantemente palestina. O chanceler britânico, Ed Miliband, classificou a medida como "um ato inaceitável e destrutivo" que coloca em risco a viabilidade de uma solução de dois Estados.
Miliband afirmou ter transmitido a mensagem diretamente ao chanceler israelense, Gideon Saar. O governo britânico também anunciou um "amplo conjunto de medidas", incluindo sanções contra indivíduos envolvidos na expansão dos assentamentos, que Londres considera ilegais segundo o direito internacional.
A licitação mais recente contempla cerca de 1.200 unidades residenciais, aproximadamente um terço do total previsto pelo plano E1, segundo a ONG israelense Peace Now. Reino Unido e França estão entre os 21 países que condenaram a aprovação do projeto. Cerca de 3 milhões de palestinos vivem na Cisjordânia, excluindo Jerusalém Oriental, além de aproximadamente 500 mil colonos israelenses.