O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, alertou nesta quarta-feira (11) que o país adotará "medidas técnico-militares" caso o Ocidente amplie sua presença na Groenlândia. A declaração ocorre após nações europeias enviarem contingentes para a ilha ártica, reagindo às recentes manifestações do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre o interesse em anexar o território.
Lavrov afirmou no Parlamento russo que qualquer capacidade militar direcionada à Rússia na região terá uma resposta à altura.
Impasse diplomático e influência da Otan
A Groenlândia, território autônomo da Dinamarca com 57 mil habitantes, tornou-se o centro de uma disputa estratégica. Trump, que anteriormente sugeriu a anexação para evitar o avanço de Rússia ou China, recuou após estabelecer um "acordo-quadro" com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte.
O pacto visa garantir maior influência americana na região, mas Lavrov criticou a postura dinamarquesa e defendeu que a questão deve ser resolvida internamente, sem a militarização externa que ameaça o equilíbrio do Ártico.
A "linha vermelha" da soberania
Apesar das pressões de Washington e da retórica de Moscou, o governo da Groenlândia mantém uma postura firme, classificando sua soberania e integridade territorial como uma "linha vermelha" inegociável.
Enquanto a Dinamarca é acusada pela Rússia de tratar os groenlandeses como cidadãos de segunda classe, a ilha busca reafirmar sua autonomia em meio ao crescente interesse das grandes potências pelos recursos naturais e rotas comerciais que se abrem com o degelo polar.