A poucos quilômetros de Tel Aviv, na cidade de Kfar Saba, o secretário de Segurança de Porto Alegre, Alexandre Aragon, acompanha o conflito entre Israel e Irã. Aragon contou neste quarto dia de ataques dos dois países que a rotina tem sido de deslocamento constante para o bunker mais próximo. Ele ainda justificou a permanência no país com o intuito de “cumprir a missão” de finalizar um curso sobre tecnologias de segurança.
"No primeiro dia é tenso, depois é muito automático e rápido”, relata o secretário, explicando como se procede nos momentos de ataque. “Quando tu entra em Israel a gente é treinado como agir em situação de crise. Eles são muito preparados. A gente recebe três mensagens. A primeira no teu celular, depois uma sirene com um barulho insuportável que te acorda, alertando o ataque. A segunda é uma mensagem que diz para tu te dirigir ao abrigo, e a terceira mensagem diz que o míssil está a caminho. É bom que tu já estejas no abrigo”, detalha ele.
Aragon foi um dos cinco gestores municipais que decidiu que ficar na cidade de Kfar Saba, em Israel, depois que um grupo de dirigentes brasileiros foi transportado para a Jordânia. Depois do dia 20, Aragon planeja regressar ao Brasil, da forma que ficar melhor “para Israel”. “Pretendo sair pelo jeito mais confortável. Não quero causar problemas para Israel”, encerrou.
Para o secretário, foi importante permanecer para finalizar o curso oferecido por Israel. "Eu vim pra cá fazer o curso para aprender as melhores técnicas de defesa. Seria um desrespeito não cumprir esta missão e levar essas práticas para Porto Alegre. A questão da resiliência, da tecnologia, dos protocolos. Ficarei até o final do curso”, explicou
“Lembra a pandemia”
Aragon revelou um pouco do cenário desta segunda-feira em Israel. "As escolas estão fechadas, os supermercados abertos, aeroportos fechados. Lembra muito ao período da pandemia. Há uma cultura de resiliência no país. A criança desde o jardim de infância aprende a enfrentar dificuldades. É tenso, mas não há desespero. A vida segue normal”, descreveu.
Desde o começo dos ataques, ele não se deslocou mais de cidade. “Não é recomendável, até porque pode ocorrer um ataque durante o deslocamento”. Segundo ele, a cidade onde está não foi atingida, mas “se ouve e se vê tudo, é tudo muito perto”, detalhou.