A Síria enviará milhares de soldados à Arábia Saudita e ao Iêmen para ajudar a repelir os houthis e reforçar o governo reconhecido internacionalmente e apoiado por Riade, disseram várias autoridades iemenitas à AFP.
O conflito entre os houthis pró-Irã, que controlam grandes partes do Iêmen, e o governo apoiado por Riade foi reativado em julho, após quatro anos de uma trégua frágil nesta guerra iniciada em 2014. As hostilidades se intensificaram em setembro, quando os houthis multiplicaram os ataques contra a Arábia Saudita, especialmente contra infraestruturas energéticas e aeroportos.
O reino vinha pressionando seus aliados há semanas para que o ajudassem a repelir os ataques dos houthis, que também tomaram grandes partes da costa iemenita no Mar Vermelho. Segundo três fontes do Exército iemenita e um alto funcionário da área de defesa, centenas de soldados já se encontram em campo em ambos os lados da fronteira.
Muitos outros estão por vir. Uma fonte do Conselho de Liderança Presidencial, a instância governamental mais alta no Iêmen, afirmou que Damasco enviará 3.000 militares para ajudar a "combater os houthis". O acordo recebeu sinal verde durante a visita do presidente sírio Ahmed al-Sharaa a Riade, esta semana, na qual ambos os países assinaram acordos de cooperação, incluindo um de defesa.
A Arábia Saudita é um apoio fundamental para as novas autoridades islamistas da Síria, que derrubaram, em dezembro de 2024, o antigo governante Bashar al-Assad.
Em busca de reforços
Recentemente, o chanceler sírio, Asad al Shaibani, havia indicado que o país avaliava aderir ao chamado pacto de defesa mútua, assinado em agosto, em Meca, por Turquia, Arábia Saudita e Paquistão. Tanto Ancara quanto Islamabad anunciaram o envio de tropas para a Arábia Saudita, mas, até o momento, não participaram de missões ofensivas contra os houthis.
O Egito também havia aprovado o fornecimento de apoio militar defensivo à Arábia Saudita, enquanto a França e o Reino Unido anunciaram o envio de tropas e caças para reforçar a proteção do reino. No caso dos reforços sírios, as tropas já posicionadas no lado iemenita da fronteira estão conduzindo operações com drones contra os houthis na região, segundo uma autoridade militar.
Embora a primeira fase do plano envolva 3.000 combatentes, o acordo prevê o envio total de mais de 10.000 efetivos, informou à AFP uma fonte do Ministério da Defesa. Equipes técnicas dos ministérios da Defesa da Síria e da Arábia Saudita estão finalizando, em Riade, os preparativos para que as forças sírias participem das operações contra os houthis, acrescentou.
Esse grupo, apoiado pelo Irã, declarou um bloqueio marítimo contra a Arábia Saudita e lançou ataques contra seus navios, aeroportos e instalações petrolíferas. Também tomou o controle de toda a costa do Mar Vermelho no Iêmen, o que compromete a navegação no estratégico Estreito de Bab el-Mandeb, que conecta a Ásia à Europa.
Os houthis, por sua vez, denunciam frequentes bombardeios aéreos sauditas contra as áreas do Iêmen sob seu controle. Segundo a ONU, mais de 1.600 pessoas morreram e mais de 300.000 foram deslocadas devido à retomada do conflito no país mais pobre da Península Arábica. A guerra começou em 2014, quando os houthis tomaram a capital, Saná. Um ano mais tarde, uma coalizão liderada pela Arábia Saudita entrou no conflito em apoio ao governo.