Taiwan recebeu nesta sexta-feira (2) os dois primeiros aviões de combate F-16V de fabricação americana. A chegada ocorre no momento em que a ilha democrática, reivindicada pela China, moderniza suas capacidades militares para dissuadir um possível ataque de Pequim.
Embora não reconheçam oficialmente as autoridades de Taipé, os Estados Unidos são o principal apoiador e fornecedor de armas da ilha, que tem governo, moeda e exército próprios.
Porém, o fornecimento de algumas armas críticas desacelerou nos últimos meses. Algumas decisões do presidente Donald Trump provocaram dúvidas sobre o compromisso dos Estados Unidos com Taiwan.
Chegada dos novos caças e impacto na defesa
Os caças fabricados pela empresa americana Lockheed Martin pousaram na base aérea de Taiwan em Taitung, na costa sudeste. O ex-militar da Força Aérea Eric Chan, de 57 anos, afirmou que as aeronaves "desempenharão um papel defensivo muito importante" diante da China. "Precisamos reforçar nossas capacidades de defesa", disse ele.
O F-16V é um caça polivalente de quarta geração e uma versão consideravelmente aperfeiçoada dos aviões F-16 A/B usados por Taiwan. Equipado com capacidades mais avançadas de combate, detecção e propulsão, será "uma valiosa incorporação para enfrentar a ameaça militar da China", afirmou Su Tzu-yun, do Instituto de Pesquisa para a Defesa e a Segurança Nacional em Taipé.
A China afirma que Taiwan faz parte de seu território e já ameaçou usar a força para tomar seu controle. Por este motivo, opõe-se à venda de armas dos Estados Unidos à ilha.
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Acordos de venda e tensões políticas
A legislação americana, no entanto, obriga o fornecimento de armas a Taiwan para sua defesa. Neste caso, as duas aeronaves fazem parte de um acordo de 8 bilhões de dólares (41,8 bilhões de reais) por 66 F-16V, aprovado durante o primeiro mandato de Trump e com entrega prevista para este ano.
Taiwan aguarda a aprovação de outro pacote de 14 bilhões de dólares (73 bilhões de reais), mas Trump adiou a assinatura. Ele disse que se trata de "uma ficha de negociação muito boa" na relação com a China. Os especialistas consideram pouco provável que seja aprovado antes da reunião de cúpula do G20, em dezembro, nos Estados Unidos, onde o presidente chinês, Xi Jinping, e Trump devem se encontrar pela quarta vez este ano.