Três barcos vikings de mais de mil anos de antiguidade se preparam para uma transferência de alto risco, que será a sua última viagem. Os tesouros nacionais, que superaram a prova do tempo, estão sendo movidos para uma ampliação do Museu da Era Viking, na península de Oslo, que foi especialmente construída para abrigar e preservar as embarcações em condições ideais.
A primeira embarcação a ser transferida será o Oseberg, que chegará ao novo prédio nesta quarta-feira (10). A operação promete ser lenta e meticulosa: o frágil casco de carvalho, envolto em uma proteção metálica, será suspenso por um guindaste e percorrerá cerca de cem metros em 10 horas.
Preservação e riscos
Os barcos, batizados com o nome dos locais onde foram descobertos (Oseberg, Gokstad e Tune), estavam preservados em um edifício de 1926 que se tornou pequeno e inadequado. A diretora do museu, Aud Tønnessen, explica que os barcos estavam expostos à umidade e vibrações, o que causava pressão em suas estruturas e os ameaçava de "afundar sobre seus suportes".
Apesar da necessidade de mudança, a transferência é perigosa. O conservador David Hauer, que trabalha há anos no projeto, ressalta que "cada manipulação é prejudicial" para os cascos de 1.200 anos. As tábuas de carvalho sobrepostas podem rachar e se fragmentar com a menor deformação, por isso as precauções para evitar danos e vibrações são extremas.
O futuro do acervo
A transferência do Oseberg é um trabalho de precisão que exigiu a colaboração de uma empresa da indústria petrolífera, com experiência na instalação de estruturas no fundo do mar. A expectativa é que o Gokstad e o Tune sejam movidos no outono norueguês e em meados de 2026, respectivamente.
Cada um dos três barcos, encontrados em túmulos funerários na Noruega, tem suas particularidades:
O Oseberg é considerado o mais bem preservado do mundo e se destaca por suas elaboradas esculturas.
O Gokstad, com 23 metros de comprimento, é o maior dos três e tinha capacidade para 32 remadores.
O Tune, mais deteriorado, é considerado um barco de guerra especialmente rápido.
Apesar da crença popular, os historiadores rejeitam o termo "drakkar" para se referir às embarcações, pois a palavra teria sido inventada na França no século XIX, sem legitimidade histórica.