O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quinta-feira (23) que o acordo para a criação de um programa nuclear civil na Arábia Saudita está condicionado ao reconhecimento de Israel pelo governo saudita. "O acordo será aprovado, mas está inteiramente condicionado à adesão da Arábia Saudita aos altamente respeitados e bem-sucedidos Acordos de Abraão", escreveu o republicano na rede Truth Social.
O anúncio oficial da parceria com o país do Golfo havia sido feito na quarta-feira (22), gerando reações no Congresso americano e em órgãos internacionais pelo temor de uma corrida por armas nucleares em plena guerra contra o Irã.
Projeção econômica e riscos de proliferação
O acordo, cujo texto completo não foi divulgado, deve gerar bilhões de dólares para empresas americanas e representa uma vitória estratégica para Riade. Segundo o Wall Street Journal, uma das cláusulas pode autorizar a construção de uma usina de enriquecimento de urânio em solo saudita por companhias americanas — ponto não comentado pelo Departamento de Energia dos EUA.
A diretora do Projeto de Integração do Oriente Médio do Atlantic Council, Allison Minor, avalia que Washington busca enviar um sinal claro a Teerã durante o impasse nas negociações de paz, ao mesmo tempo em que reforça os laços com um aliado estratégico. Críticos, porém, apontam incoerência na política externa americana. "Trump alega que sua guerra contra o Irã visa impedir que um país autoritário enriqueça material nuclear. Agora ele está permitindo que seus melhores amigos na Arábia Saudita façam exatamente isso", criticou o senador Bernie Sanders.
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Salvaguardas e disputa geopolítica com China e Rússia
Diante dos questionamentos, o secretário de Estado, Marco Rubio, e o secretário de Energia, Chris Wright, garantiram que o pacto seguirá os mais elevados padrões globais de não proliferação e segurança. "Qualquer acordo sobre energia nuclear civil terá salvaguardas para garantir que não possa ser transformado em um programa de armas", declarou Rubio.
Especialistas do setor destacam que a iniciativa visa conter a influência de outras potências no Oriente Médio. Para Jennifer T. Gordon, diretora da Iniciativa de Política de Energia Nuclear do Atlantic Council, o pacto é uma vitória americana diante de Pequim e Moscou. "A Arábia Saudita deixou claro que implementaria um programa nuclear civil; a única questão era se o reino optaria por trabalhar com os Estados Unidos ou se recorreria à Rússia ou à China", apontou.