O presidente Donald Trump anunciou, neste sábado (21), o aumento das tarifas globais dos Estados Unidos de 10% para 15%, com efeito imediato. A medida ocorre menos de 24 horas após a Suprema Corte declarar ilegal o uso da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) para a imposição de taxas alfandegárias.
Em publicação na rede Truth Social, Trump classificou o novo patamar como "totalmente autorizado e legal", acusando os magistrados que votaram contra sua agenda de estarem submetidos a interesses estrangeiros e de agirem por motivos politicamente corretos.
Este aumento se baseia em uma "revisão minuciosa" da decisão da Suprema Corte, declarou Trump, denunciando mais uma vez a decisão como "ridícula" e "extraordinariamente antiamericana".
A nova tarifa deveria entrar em vigor em 24 de fevereiro por um período de 150 dias, com isenções setoriais, particularmente para a indústria farmacêutica e para mercadorias que entram nos Estados Unidos sob o acordo com o México e o Canadá, segundo um comunicado de imprensa da Casa Branca.
Essa nova taxa se aplica a países ou blocos que assinaram acordos comerciais com Washington, como União Europeia (UE), Japão, Coreia do Sul e Taiwan, que, por exemplo, concordaram com uma tarifa máxima de 15%.
Valores
A decisão judicial de sexta-feira abriu um impasse bilionário sobre o destino dos valores arrecadados até agora. Um estudo da Universidade da Pensilvânia estima que o montante em jogo chegue a 175 bilhões de dólares, cerca de 910 bilhões de reais.
Trump reconheceu a incerteza sobre a obrigatoriedade de reembolsar esses valores, notando que o tribunal não abordou o tema, o que deve arrastar os litígios nos tribunais por anos. O vice-presidente J.D. Vance reforçou a retórica de confronto ao afirmar que a Suprema Corte agiu fora da lei, enquanto o juiz Brett Kavanaugh, voto vencido na Corte, alertou para a iminência de uma desordem jurídica processual.
- CNI diz que acompanha com atenção decisão da Suprema Corte dos EUA
- O que são as seções 122, 201, 301, 232 e 338, que Trump usa para tentar driblar Suprema Corte
- Decisão da Suprema Corte dos EUA sobre tarifas coloca em xeque US$ 133 bilhões já arrecadados
Reações internacionais e políticas
No cenário internacional, o anúncio gerou reações imediatas e de forte preocupação. A Câmara de Comércio do Canadá alertou que o país deve se preparar para mecanismos mais contundentes e perturbadores, enquanto México e União Europeia informaram que ainda analisam o alcance da sentença. Internamente, a oposição democrata, representada pelo líder Hakeem Jeffries, criticou a incerteza gerada pela guerra comercial, e até setores republicanos moderados, como o do senador Don Bacon, lembraram que a Constituição delega o poder sobre tarifas exclusivamente ao Congresso.
Impacto econômico e mercados
Apesar da turbulência política, Wall Street fechou a sexta em alta, com o Dow Jones subindo 0,47% e o Nasdaq 0,9%. Contudo, os indicadores macroeconômicos revelam um cenário desafiador para a administração Trump. O crescimento dos Estados Unidos em 2025 desacelerou para 2,2%, abaixo dos 2,8% do ano anterior, e o déficit comercial subiu para 1,24 trilhão de dólares. Mesmo com a insistência do presidente de que o protecionismo seria uma solução definitiva, os números oficiais de seu primeiro ano de mandato indicam um aumento no desequilíbrio das contas externas americanas.