O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez um discurso televisionado à nação nesta quinta-feira (16), em que botou a China no radar de suas acusações de falta de "integridade" das eleições. A iniciativa busca mobilizar sua base republicana em um momento de queda de popularidade e de preocupação com as eleições legislativas de novembro.
Um dos principais argumentos do mandatário, baseado no que ele chamou de “dados brutos de inteligência” (apurações que ainda não foram devidamente comprovadas pelos investigadores, em resumo), foi de que a China adquiriu ilicitamente 220 milhões de arquivos de eleitores dos EUA, “a maior violação de dados eleitorais da história, iniciada durante a eleição de 2020”, conforme Trump.
O presidente também não deu qualquer indício ou prova de que os chineses tenham usado os dados para algum ilícito contra os norte-americanos. Ele repetiu, também, a acusação de que “centenas de milhares de pessoas mortas estão nos registros de eleitores dos EUA”.
Eleito em 2016 e novamente em 2024, Trump não poderá disputar um novo mandato presidencial. As eleições de meio de mandato ("midterms") poderão reduzir o poder do Partido Republicano no Congresso. Pesquisas indicam que os democratas têm boas chances de conquistar a maioria na Câmara dos Representantes e também de disputar o controle do Senado, onde um terço das cadeiras estará em jogo.
As principais emissoras americanas divergiram sobre a transmissão. ABC, NBC e CNN decidiram não exibir o pronunciamento, enquanto a CBS optou por transmiti-lo. Entre as medidas defendidas pelo presidente está o SAVE America Act, projeto de lei que endurece as exigências de identificação para votação em eleições federais e restringe o voto pelo correio. A proposta divide os próprios republicanos e é criticada pelos democratas, que afirmam que ela dificultaria o acesso dos eleitores às urnas.
Trump voltou a alegar, sem apresentar provas, que o sistema eleitoral americano é vulnerável a fraudes, especialmente em estados e distritos administrados por democratas. As acusações repetem o discurso adotado após sua derrota na eleição de 2020.
Enquanto isso, especialistas avaliam que as principais preocupações do eleitorado continuam sendo a economia e os efeitos da guerra contra o Irã. Paralelamente, diversos estados promoveram mudanças nos mapas eleitorais ao longo do último ano e meio, tanto em redutos republicanos quanto democratas. As alterações, em grande parte aprovadas pelos tribunais, podem influenciar o resultado das eleições legislativas, embora seus impactos ainda sejam considerados imprevisíveis.
Na terça-feira, ao comentar o conteúdo do pronunciamento, Trump afirmou que "é impossível ter um país sem eleições livres e justas".