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Ucrânia acusa Rússia de ataque massivo à rede de energia

Ataques noturnos deixam cinco regiões sem energia e causam danos significativos enquanto o país se prepara para mais um inverno rigoroso

Ataques russos danificaram instalações de energia na região de Kyiv, assim como uma ponte crucial na capital ucraniana
Ataques russos danificaram instalações de energia na região de Kyiv, assim como uma ponte crucial na capital ucraniana Foto : AFP

A Ucrânia acusou, neste sábado (7), a Rússia de ter realizado um ataque "massivo" contra sua infraestrutura energética, o que provocou cortes de energia em cinco regiões, em um momento em que o país se prepara para mais um inverno rigoroso.

Nas redes sociais, o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, afirmou que a Rússia utilizou 36 mísseis balísticos e 172 drones para executar esse ataque "combinado" contra o setor energético.

Segundo ele, pelo menos nove pessoas ficaram feridas, incluindo uma criança, durante esses ataques, que atingiram cerca de dez regiões do país.

"Durante a noite, o inimigo lançou um ataque massivo contra várias instalações energéticas na Ucrânia. Como resultado, consumidores nas regiões de Dnipropetrovsk, Donetsk, Kiev, Jytomyr e Kharkiv encontram-se, no momento, sem eletricidade", informou o Ministério da Energia da Ucrânia em um comunicado. O texto não especifica quantas residências foram afetadas.

Os ataques causaram danos significativos a "inúmeras instalações energéticas" na região da capital, o que prejudica "consideravelmente" o fornecimento de eletricidade para Kiev e seus arredores, detalha o comunicado.

As equipes no local tentam resolver a situação, mas seu trabalho "é retardado pelos constantes alertas aéreos", acrescenta.

Zelensky ironizou, dizendo que esses bombardeios eram a forma como a Rússia "prepara" o encontro trilateral previsto para os dias 10 e 11 de novembro, em Abu Dhabi, entre emissários de Kiev, Washington e Moscou, com o objetivo de impulsionar as negociações, travadas desde fevereiro devido à guerra no Oriente Médio.

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A última reunião desse tipo ocorreu em meados de fevereiro, em Genebra, sem avanços rumo a uma solução para o conflito.

Atualmente, a Rússia controla cerca de um quinto do território de seu vizinho: a península da Crimeia, anexada em 2014; a maior parte das regiões orientais de Donetsk e Luhansk, conhecidas coletivamente como Donbass; e amplas áreas das regiões meridionais de Zaporizhzhia e Kherson.

Moscou exige a retirada completa do exército ucraniano de Donetsk, uma condição que Kiev rejeita, por considerar que isso deixaria o país exposto a novos ataques russos.

O presidente ucraniano afirmou que conta com o governo e o Congresso dos Estados Unidos "para que prestem mais atenção à Ucrânia". "Porque a Rússia intensifica seus ataques sem parar", denunciou.

Mais cedo, na manhã de sábado, o prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, afirmou que os ataques noturnos russos danificaram também uma ponte importante, além de infraestruturas energéticas.

"A situação do fornecimento de energia na capital é extremamente complicada. Isso afeta o funcionamento dos sistemas de aquecimento e de abastecimento de água da cidade", declarou Klitschko no Telegram.

Ele acrescentou que a Ponte Norte, que cruza o rio Dnieper, sofreu danos, o que bloqueia o tráfego. Essa ponte já havia sido atacada em outubro, o que levou as autoridades a instalar redes antidrones para tentar protegê-la.

A Ucrânia teme reviver o cenário do inverno passado, quando a Rússia bombardeou as instalações energéticas do país, deixando milhões de lares sem aquecimento nem eletricidade.