Mundo

UE diz que retirada russa da Ucrânia é uma pré-condição para o levantamento das sanções

Posicionamento ocorrem em meio a troca de acusações entre os dois países

Prédio pega fogo após ataque russo com um míssil na cidade de Sumy, nordeste da Ucrânia
Prédio pega fogo após ataque russo com um míssil na cidade de Sumy, nordeste da Ucrânia Foto : Folheto / SERVIÇO DE EMERGÊNCIA UCRANIANO / AFP

A União Europeia anunciou, nesta quarta-feira (26), que uma pré-condição para a suspensão das sanções contra a Rússia é a retirada 'incondicional' das tropas russas da Ucrânia, de acordo com um porta-voz do bloco. 'A retirada incondicional das forças militares russas de todo o território da Ucrânia seria uma das principais pré-condições para alterar ou suspender as sanções', disse o porta-voz.

A posição do bloco ocorre em meio a uma tensa tentativa de trégua do conflito que já dura três anos.

Troca de Acusações

Nesta quarta-feira (26), Rússia e Ucrânia trocaram acusações sobre querer atrapalhar o acordo, anunciado na véspera pelos Estados Unidos, que deverá ser concluído, sob certas condições, com uma trégua no Mar Negro e dos ataques às infraestruturas energéticas.

Na manhã desta quarta-feira, os beligerantes denunciaram os ataques realizados durante a noite pelo outro lado.

Após negociações separadas entre Estados Unidos, Rússia e Ucrânia, realizadas entre domingo e terça-feira na Arábia Saudita, foi anunciado um acordo para uma trégua futura no Mar Negro, além da reativação de um pacto para restaurar a navegação comercial naquela área.

No entanto, Moscou estabeleceu condições drásticas para sua entrada em vigor, incluindo o levantamento de diversas sanções contra a Rússia, adotadas em resposta ao seu ataque à Ucrânia, iniciado há mais de três anos.

O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, denunciou nesta quarta-feira novos ataques noturnos russos com "117 drones" explosivos, um "sinal claro" para ele de que Moscou não quer a "paz real".

Zelensky observou que os drones danificaram "casas, lojas e infraestruturas civis" na região de Sumy, no norte, e uma empresa em Kryvyi Rih, no centro.

Seu ministro das Relações Exteriores afirmou que a "Ucrânia demonstrou que não é um obstáculo para a paz" e que cabe à Rússia provar "com ações concretas, e não com manipulações, que deseja realmente parar a guerra".

Enganar o mundo

Zelensky fez um apelo para que seus aliados pressionem o Kremlin, especialmente os Estados Unidos, cujo presidente, Donald Trump, iniciou uma reaproximação com Moscou.

Do lado russo, o Exército acusou a Ucrânia de lançar ataques às suas instalações energéticas.

"Apesar da declaração pública de Zelensky aceitando os acordos russo-americanos (...), o regime de Kiev continuou seus ataques", acusou.

O Estado-Maior do Exército ucraniano considerou, em um comunicado, que o "país agressor" lança "acusações falsas e infundadas para prolongar a guerra" e "enganar o mundo".

Após as negociações na Arábia Saudita, a Casa Branca emitiu duas declarações separadas sobre a moratória dos bombardeios contra instalações de energia. No entanto, elas não mencionam nenhuma data ou condição.

Os textos afirmam que as partes concordaram em "desenvolver medidas para a implementação (...) do acordo sobre a proibição de bombardeios contra instalações energéticas" em ambos os países.

Moscou alega que não ataca tais instalações ucranianas desde 18 de março, quando Trump e Vladimir Putin mantiveram uma conversa telefônica durante a qual o presidente russo rejeitou a proposta dos EUA de uma trégua abrangente e incondicional, que Kiev havia aceitado.

A Ucrânia diz que isso é falso, embora não tenha publicado a lista de instalações atingidas.

Kiev acredita que a Rússia está tentando ganhar tempo ao rejeitar um cessar-fogo para continuar seus avanços militares no terreno.

"Acho que a Rússia quer acabar (com a guerra), mas pode estar enrolando", reconheceu Donald Trump em uma entrevista na terça-feira.

Cúpula em Paris na quinta-feira

Em relação ao Mar Negro, o Kremlin indicou que está em contato com Washington para implementar o acordo de terça-feira sobre o fim das hostilidades e a reativação de uma iniciativa que permita a navegação comercial, que a Rússia abandonou em 2023.

A Rússia exige, entre outras coisas, o levantamento das sanções bancárias ocidentais, que bloqueiam as exportações russas de grãos e fertilizantes por mar.

A Rússia, importante exportadora de trigo e fertilizantes, retirou-se unilateralmente do acordo em julho de 2023, acusando as potências ocidentais de não honrarem seus compromissos de aliviar as sanções às exportações russas.

Após a rodada de negociações em Riade, cujo resultado permanece incerto, o Kremlin expressou satisfação com sua reaproximação com os Estados Unidos desde que Trump retornou ao poder.

"Estamos satisfeitos com a maneira pragmática e construtiva com que esse diálogo está ocorrendo", disse o porta-voz russo Dmitri Peskov, acrescentando que os contatos "verdadeiramente intensivos" continuam.

Diante da aproximação entre Rússia e Estados Unidos, que preocupa Ucrânia e Europa, o presidente francês, Emmanuel Macron, receberá Volodimir Zelensky em Paris nesta quarta-feira à noite para "preparar" a cúpula de quinta-feira entre os países da "coalizão de voluntários" dispostos a oferecer garantias de segurança a Kiev.