Mundo

Vencedora do Nobel da Paz considera sanções dos EUA contra o TPI “inaceitáveis”

Ex-alta comissária da ONU adverte para ameaça ao funcionamento de cortes internacionais após Washington anunciar bloqueio financeiro de magistrados por decisões judiciais

Navi Pillay alertou para o clima de tensão sobre a continuidade das cortes internacionais em Haia
Navi Pillay alertou para o clima de tensão sobre a continuidade das cortes internacionais em Haia Foto : FRANK BOXLER / AFP

A juíza sul-africana Navi Pillay, ex-alta comissária da ONU para os Direitos Humanos e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, criticou duramente neste sábado (10) o anúncio de sanções dos Estados Unidos contra o Tribunal Penal Internacional (TPI). Em intervenção por videoconferência a partir de Nuremberg, durante evento do Centro Nobel da Paz em Oslo,

Pillay classificou as medidas coercitivas contra magistrados por suas decisões judiciais como "inauditas e inaceitáveis". A jurista, que presidiu comissão da ONU que acusou Israel de genocídio na Faixa de Gaza no ano passado, alertou para o clima de tensão sobre a continuidade das cortes internacionais em Haia.

O posicionamento ocorre após o governo norte-americano declarar a intenção de impor novas sanções financeiras à corte em reação ao anúncio do Comitê do Nobel, que gerou forte insatisfação em Israel. Segundo o Departamento de Estado norte-americano, as sanções visam defender a soberania e os cidadãos dos EUA diante das ações do tribunal.

Veja Também

Estados Unidos preveem bloqueio financeiro e prazo de seis meses para acordo

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, chamou o TPI de "desonesto" e afirmou que a instituição busca poder às custas de Washington. Rubio detalhou que a aplicação das sanções resultará na proibição de qualquer transação financeira com o tribunal, o que cortaria seus recursos e paralisaria sua capacidade operacional. As medidas, contudo, têm entrada em vigor prevista para daqui a seis meses, condicional à possibilidade de um acordo no período.