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Violência política sacode a Colômbia com ameaças a presidente e senadora

Presidente Petro escapa de atentado e senadora é sequestrada às vésperas de eleições cruciais no país

Senadora Aida Quilcue foi resgatada por um grupo da guarda indígena local após ter sido sequestrada
Senadora Aida Quilcue foi resgatada por um grupo da guarda indígena local após ter sido sequestrada Foto : COLOMBIAN ARMY / AFP

A Colômbia enfrenta um recrudescimento da violência política às vésperas das eleições legislativas e presidenciais de 2026. Nesta quarta-feira (11), a senadora governista e líder indígena Aida Quilcue foi libertada após passar três horas e meia sequestrada por homens armados no departamento do Cauca.

Paralelamente, o presidente Gustavo Petro denunciou ter escapado de uma tentativa de assassinato na noite anterior, quando um plano do narcotráfico teria impedido o pouso de seu helicóptero no departamento de Córdoba.

O sequestro de Aida Quilcue

Líder do povo Nasa e integrante da coalizão de Petro, Aida Quilcue foi interceptada em uma região dominada por dissidentes das Farc e produtores de coca. A senadora foi resgatada por um grupo da guarda indígena local e transferida para Popayán sob escolta do Exército.

O episódio foi classificado por Petro como um "grito de guerra" contra os povos originários e ocorre em um momento em que o Clã do Golfo, maior cartel do país, suspendeu os diálogos de paz com o governo.

Escala de ataques contra o Legislativo

O clima eleitoral é considerado um dos mais perigosos desde o acordo de paz com as Farc em 2016. Recentemente, a guerrilha do ELN atacou a caravana de um senador em Arauca, resultando na morte de dois seguranças.

O cenário de instabilidade foi agravado pelo assassinato do candidato presidencial Miguel Uribe em agosto, crime que reavivou os traumas da violência política das décadas de 1980 e 1990. Segundo a Missão de Observação Eleitoral (MOE), centenas de municípios estão sob risco de pressão de grupos armados para influenciar as urnas.

Primeiro mandatário de esquerda na história da Colômbia, Petro afirma há meses ser alvo de complôs do narcotráfico. Em 2024, o presidente já havia cancelado agendas oficiais por ameaças semelhantes.

A situação expõe a fragilidade da política de "guerra frontal" contra grupos ilegais, em um país que figura entre os mais letais do mundo para defensores de direitos humanos e líderes sociais devido às alianças entre paramilitares, agentes do Estado e traficantes.