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Yoav Gallant, o rosto da guerra de Israel contra o Hezbollah no Líbano

Ministro da Defesa israelense, Gallant é um dos homens fortes do governo de Netanyahu

"Estamos no início de uma nova fase da guerra", sentenciou Gallant após ataque do Irã
"Estamos no início de uma nova fase da guerra", sentenciou Gallant após ataque do Irã Foto : Jacquelyn Martin / POOL / AFP / CP

O ministro da Defesa israelense, Yoav Gallant, tornou-se uma das principais faces da guerra contra o Hezbollah no Líbano, determinado a devolver às suas casas os milhares de habitantes do norte deslocados pelos disparos do movimento armado do país vizinho. Nas últimas semanas, Gallant reiterou o seu objetivo de repelir os combatentes do Hezbollah das zonas fronteiriças com o norte de Israel para tornar a área segura e permitir o retorno das pessoas deslocadas.

Cerca de 60 mil pessoas fugiram dos projéteis lançados quase diariamente pelo Hezbollah desde 8 de outubro, quando o grupo libanês abriu uma frente contra Israel em apoio ao seu aliado palestino Hamas na guerra em Gaza, que eclodiu após o seu ataque mortal no sul de Israel. A "ação militar" é "o único meio de garantir o retorno das comunidades do norte de Israel às suas casas", disse Gallant ao emissário dos EUA, Amos Hochstein, em 16 de setembro.

O "centro de gravidade" da guerra "se desloca para o norte", declarou um dia depois, referindo-se à frente do Hezbollah, que desde então monopolizou grande parte da importância no conflito contra o Hamas em Gaza.

"Tomar a iniciativa"

"Estamos no início de uma nova fase da guerra, que exige coragem, determinação e perseverança da nossa parte", insistiu este general reformado e uma das principais figuras do governo de Benjamin Netanyahu. Na segunda-feira passada, durante uma visita a soldados de uma unidade de artilharia estacionada no norte do país, fez uma declaração premonitória: "Usaremos todas as capacidades que temos".

Poucas horas depois, o Exército lançou uma ofensiva terrestre contra o Hezbollah, após uma semana de intensos bombardeios contra o movimento islamista armado, que deixaram centenas de mortos. Muitos israelenses acreditam que a guerra era inevitável devido ao desenvolvimento das capacidades militares do Hezbollah.

"Gallant foi um dos primeiros a apoiar a ideia de que Israel tinha que tomar a iniciativa no norte, poucos dias depois dos ataques de 7 de outubro", diz Michaël Horowitz, especialista em geopolítica da empresa de consultoria de segurança Le Beck, com sede no Oriente Médio. "O raciocínio era este: em uma guerra, é preferível combater primeiro o inimigo mais poderoso, e a força do Hezbollah excede em muito a do Hamas", acrescenta Calev Ben-Dor, ex-analista do Ministério das Relações Exteriores israelense.

Agora, considera-se que Gallant, "com ou sem razão, estava previamente ciente dessa situação porque apostou na capacidade de Israel de tomar a iniciativa", conclui Horowitz.

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"Coeso"

Aos olhos de Ben-Dor, o ministro da Defesa surge como uma figura "responsável", inclusive entre os israelenses "que não compartilham necessariamente das suas opiniões políticas". "Percebe-se que ele se concentra na vitória e no interesse nacional (...) mais do que na política de baixo nível", resume este ex-analista. Esta popularidade torna-o mais "coeso" do que o seu antigo aliado e primeiro-ministro Netanyahu, observa Horowitz.

Embora tenha ingressado no mesmo partido conservador de Netanyahu, o Likud, em 2019, Gallant entrou na política em um partido de centro-direita (Kulanu) e os dois líderes têm estado frequentemente em desacordo. O ministro da Defesa, por exemplo, declarou-se claramente a favor de um acordo de trégua com o Hamas que permitiria a libertação dos reféns em Gaza.

Os israelenses ainda se lembram do período em que ele era comandante-chefe da região sul, que inclui a área em torno de Gaza, na década de 2000. Foi nessa época que liderou a operação "Chumbo Fundido" em Gaza, no final de 2008 e início de 2009, que causou a morte de 1.440 palestinos e 13 israelenses.

Desde então, ele explica que buscava uma vitória total contra o Hamas e que foi impedido, observa Horowitz. Isto "pode ter contribuído para esta imagem de um homem forte militar, que retrospectivamente estava certo à luz dos ataques de 7 de outubro".crb/bfi/mj/anr/dbh/es/aa/yr