Polícia

“A justiça vai ser feita”: em Canoas, familiares se despedem de corretora de imóveis assassinada em SC

Luciani Aparecida Estivalet Freitas, de 47 anos, é velada neste sábado, mais de um mês após sua morte

Velório ocorre em um espaço reservado, com a presença de parentes e amigos
Velório ocorre em um espaço reservado, com a presença de parentes e amigos Foto : Fabiano do Amaral

Está sendo velada neste sábado Luciani Aparecida Estivalet Freitas, de 47 anos, que foi morta e esquartejada em Florianópolis, Santa Catarina, no início de março. A despedida da corretora de imóveis ocorre em Canoas, na região Metropolitana, onde ela cresceu. Mais de um mês após seu assassinato, a família conseguiu autorização para realizar o translado e retirar o corpo do Instituto Médico Legal (IML). Ele foi encontrado na área rural de Major Gercino.

No velório, que ocorre em um espaço reservado, parentes e amigos de Luciani presentes vestiam uma camiseta com as frases "para sempre em nossos corações" e "justiça por Luciani". "Luciani era a paciência em pessoa. Ela era a mais tranquila da nossa família. Quando tinha discórdias, era ela que apaziguava", diz Grace Estivalet Freitas, irmã mais velha da corretora. Ela se dedicava muito ao trabalho e confiava nas pessoas, relata.

"Ela era uma pessoa muito pura, inocente, confiava em qualquer um. Confiou demais em quem não devia, abriu demais a vida dela para pessoas que não deveriam saber, pela inocência que tinha", complementa.

Luciani também tinha apreço pelos animais. Em um banner posicionado em frente à entrada da capela, há uma foto dela com seus pets, um gato e um cão, que foram também encontrados após a sua morte. Ambos estão sob a tutela da família.

Velório de Luciani Aparecida Estivalet Freitas | Foto: Fabiano do Amaral

Grace lembrou que mensagens enviadas do celular de Luciani geraram desconfiança na família. Os textos continham erros de português e conteúdo atípico. "Que eles deem uma estudada na vítima. Que façam um curso de português, porque foi onde a gente pegou eles. Minha irmã era uma menina culta. Ela tinha, que eu lembro, umas três graduações, mais pós-graduação. E foram escrever da forma que escreveram", diz a irmã.

No dia 7 de março, Grace questionou no grupo da família sobre notícias de Luciani, que não estava a respondendo. “Falaram com uma suposta amiga dela de lá, que disse que estava tudo bem, que ela tinha dado uma saída. E a gente se tranquilizou”, disse a irmã. No domingo, porém, sua mãe começou a ficar preocupada, e as buscas começaram na segunda-feira.

"A justiça vai ser feita. De alguma forma ela vai ser feita. Seja a dos homens, ou vai ser a divina. Porque o que aconteceu com a minha irmã não vai ficar impune", conclui.

Entenda o caso

Segundo a investigação, Luciani teria sido morta entre os dias 4 e 5 de março, dentro do próprio apartamento onde morava. O seu corpo teria permanecido no local até a madrugada de 7 de março, quando foi descartado na área rural de Major Gercino. O caso ainda está sendo investigado pela Polícia Civil, e três pessoas já foram presas por suspeita de participação no crime, suspeitas de executar a corretora, esquartejar o corpo e ocultar o cadáver.

A corretora de imóveis foi vítima de um latrocínio, de acordo com a Polícia Civil, uma vez que o seu CPF foi utilizado para realizar compras online, após o desaparecimento. Ainda, pertences pessoais dela foram encontrados sob posse da administradora do conjunto residencial em que ela e os suspeitos moravam.

A Polícia Civil rastreou o endereço das entregas, abordando um jovem de 14 anos, no momento em que ele retirava um dos produtos, nessa quinta-feira. O adolescente teria dito que entregaria os materiais ao irmão mais velho, que o esperava em uma pousada. Ali, estavam esse homem, uma mulher e a proprietária da hospedagem. Em diligências no local, os agentes encontraram malas e pertences pessoais da vítima, além do automóvel dela e produtos comprados em seu nome.

Foram enviadas mensagens por WhatsApp de Luciani com erros de português e conteúdo atípico. Um dos textos dizia que ela estaria sendo perseguida por um ex-companheiro. Outro, mencionava suposta venda de imóveis. O irmão da vítima, Matheus Estivalet, que mora em Itapema, buscou as autoridades após o alerta.

"Nós queremos justiça pela forma que foi feito, porque ninguém merece esse fim que a minha irmã teve. E nós não vamos descansar enquanto a justiça não for feita", diz a irmã mais velha.