O silêncio que hoje ocupa os corredores do antigo quartel do 1º Batalhão de Polícia Militar (1º BPM), no bairro Praia de Belas, contrasta com mais de um século de história construída no local. Depois de servir como sede do Batalhão de Ferro, como é conhecido aquele que é um dos mais tradicionais da Brigada Militar, o prédio começa a viver seus últimos dias antes da demolição que abrirá caminho para um novo complexo policial.
Desde as 18h de quarta-feira, os trabalhos do batalhão passaram a funcionar oficialmente no endereço provisório. O local fica no antigo prédio do Centro de Tecnologia da Informação e Comunicação do Estado do Rio Grande do Sul (Procergs), na rua Mário Totta, bairro Tristeza, às margens do Guaíba, na Zona Sul de Porto Alegre.
Com a mudança, o casarão da rua Dezessete de Junho já foi praticamente todo esvaziado. "O atendimento administrativo já está funcionando na nova sede temporária. Foi uma negociação realizada entre a Procergs e a Secretaria da Segurança Pública para que possamos permanecer lá durante a execução das obras", explicou o comandante do 1º BPM, tenente-coronel Fábio Hax Duro.
As salas que até poucos dias atrás concentravam o trabalho diário de policiais militares, agora dão lugar ao vazio. No corredor de entrada, restam poucos móveis aguardando transferência. A sala do comandante é uma das que ainda preserva parte da estrutura, mas também deverá ser desocupada nos próximos dias.
Bandeiras, esculturas, quadros e outros elementos históricos do batalhão ainda serão transportados para o novo endereço. Além do mobiliário, algumas viaturas que passam por manutenção também permanecem no local e serão removidas na sequência.
Boa parte do que ficou para trás, entretanto, não seguirá para a nova sede. Muitos móveis foram severamente afetados pelas enchentes que atingiram Porto Alegre em 2024. Em outros pontos, o desgaste natural da estrutura centenária já era evidente. Há prédios do complexo com comprometimento avançado, incluindo setores onde partes do telhado desabaram ao longo dos últimos anos.
Grande parte desse material será descartada durante os trabalhos de demolição conduzidos pela empresa contratada.
Demolição aguarda licença
Embora o batalhão já esteja praticamente desocupado, a demolição ainda depende da liberação final da Prefeitura de Porto Alegre. Segundo Hax, a empresa responsável pela obra já iniciou a instalação dos tapumes que cercarão a área.
"Agora a empresa está aguardando a autorização da Prefeitura. A licença para a demolição já foi protocolada. Também estão sendo finalizados os projetos arquitetônico, estrutural e elétrico para os demais encaminhamentos", afirmou.
Até o momento, os sinais mais visíveis da preparação para a obra são justamente os tapumes e a retirada da cobertura metálica de uma das garagens. A estrutura principal do quartel permanece de pé, embora já apresente marcas do tempo e dos danos acumulados nos últimos anos.
Apesar da demolição da maior parte da estrutura, a memória do "Batalhão de Ferro" não desaparecerá completamente. O projeto prevê a preservação de uma pequena parte da fachada histórica do prédio, que será incorporada ao novo quartel.
O imóvel não possui tombamento oficial, o que permite a intervenção estrutural. Ainda assim, o projeto busca manter elementos arquitetônicos que remetem à identidade histórica da tradicional unidade.
O contrato foi firmado com a empresa Construtora Porto Beton S/A, que ficará responsável pela elaboração do projeto básico e executivo, além da execução completa dos serviços. O investimento previsto é de R$ 37,9 milhões, com prazo de execução de 450 dias corridos.
Enquanto as máquinas ainda aguardam autorização para iniciar os trabalhos, o efetivo fará despedida simbólica. Na sexta-feira, está previsto um almoço de encerramento reunindo policiais que fizeram parte da rotina do quartel histórico, como um último ato coletivo dentro do prédio.
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