Com a presença da ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul oficializou nesta segunda-feira (14) sua adesão à campanha nacional “Feminicídio Zero”, do governo federal. O evento, realizado no Salão Júlio de Castilhos, também marcou a entrada de Grêmio e Internacional na mobilização, que tem como objetivo envolver toda a sociedade contra qualquer tipo de violência contra as mulheres, incentivando a conscientização e o engajamento na luta pelo fim do feminicídio.
Durante a solenidade, Cida destacou a urgência da ação diante da escalada de crimes bárbaros registrados no país. Ela também abordou o agravamento da violência contra a mulher que também é realizada através de ataques crianças, como aconteceu recentemente em São Gabriel, quando um homem matou o próprio filho para atingir a ex-companheira. “Há 10 anos, se debatia como alguém pode esfaquear 54 vezes uma mulher. Só o ódio explica isso. Mas em 10 anos, muita coisa mudou e agora não são somente 54 facadas. Agora se matam os filhos para maltratar as mulheres. Agora, se coloca fogo nas casas, com as mulheres vivas e os filhos vivos dentro”, desabafou a ministra.
Para Cida, o feminicídio é “o último estágio da violência”. A ministra criticou a banalização dos alertas e cobrou ação da sociedade. “Nós não podemos aceitar a nova barbárie que está batendo na porta das mulheres do nosso país, que e contra os nossos filhos. Eu acredito que, para as mulheres, na maioria das vezes, o pior sofrimento é quando se mata ou se maltrata os filhos”, declarou.
Segundo ela, a permanência de muitas mulheres em relações violentas não está ligada apenas à pobreza, mas à falta de apoio e acolhimento. “Elas permanecem pela falta de solidariedade. Pela falta de estrutura do Estado”, reforçou.
A titular da pasta também abordou a necessidade de romper com o silêncio e envolver a sociedade civil. “Nós não estamos pedindo para as pessoas entrarem no meio [da briga], estamos pedindo que as pessoas falem, que se incomodem, que denunciem. O silêncio mata as mulheres”, disse, ao lembrar de um caso em que vizinhos ouviram gritos durante a madrugada, mas só chamaram ajuda quando uma criança de quatro anos apareceu desesperada, ao lado do corpo da mãe.
Ao lado de deputados estaduais e federais, magistrados, lideranças políticas e representantes de Grêmio e Internacional, a ministra também reforçou o papel de homens e instituições no combate ao feminicídio. “Nós precisamos convencer os times, e aí a importância do Grêmio e do Inter. Precisamos envolver a direção, os jogadores, e também as torcidas. Porque essa luta não é das mulheres. É do Brasil”, completou.
Durante a cerimônia, a deputada estadual Stela Farias, proponente do evento, também destacou que o feminicídio representa o ponto final de uma escalada de violências diversas e defendeu o fortalecimento de políticas públicas de prevenção. “É resultado direto da ausência de educação antissexista nas escolas e da precarização de redes de proteção. Precisamos transformar a cultura que permite essa brutalidade”, afirmou.
O presidente do Grêmio, Alberto Guerra, lembrou do histórico de exclusão das mulheres no futebol e afirmou que o clube possui compromisso com a campanha. “Temos a responsabilidade de usar a força do esporte para abraçar causas sociais. Estamos totalmente à disposição para vestir essa luta dentro e fora de campo”, disse.
Representando o Internacional, a diretora feminina Tamarisa Lopes enfatizou a relevância do engajamento coletivo. “Somos o clube com maior número de sócias no Brasil. Não poderíamos ficar de fora dessa causa. Feminicídio zero é uma pauta de todos, inclusive do futebol, que também é espaço de luta e acolhimento”, declarou.
Além das falas, foi assinado o termo de adesão à campanha e a ministra recebeu do presidente do Grêmio uma camisa personalizada com a mensagem “Feminicídio Zero”.