Polícia

Audiência pública aborda instalação de casa prisional de assistência a mulheres em Porto Alegre

Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC) feminina chegou a ser anunciada em 2021, mas inauguração jamais ocorreu

Juiz Alejandro Rayo faz manifestação em audiência pública sobre APAC feminina
Juiz Alejandro Rayo faz manifestação em audiência pública sobre APAC feminina Foto : Marcel Horowitz / CP

A instalação de uma unidade da Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC) voltada às mulheres foi tema de audiência pública nesta quinta-feira, em Porto Alegre. O evento ocorreu no Palácio do Ministério Público, visando debater modelos alternativos de execução penal e reintegração da massa carcerária na sociedade.

O Rio Grande do Sul soma três APACs, em Porto Alegre, Pelotas e Passo Fundo, todas dedicadas ao público masculino. Em julho de 2021, foi anunciada a fundação da primeira APAC feminina, inclusive com endereço definido, na Capital, mas a inauguração nunca chegou a ocorrer.

As APACs são entidades sem fins lucrativos, buscando alinhar a humanização das prisões com a finalidade punitiva da pena. O modelo opera há mais de 50 anos no Brasil, que soma 69 unidades, sendo a maioria em Minas Geral. Pelo menos 18 países aplicam a metodologia.

Os condenados a penas privativas de liberdade que estão nas APACs seguem rotina de disciplina, com base no senso de comunidade e na profissionalização da mão de obra. São os próprios apenados que gerenciam os estabelecimentos, atuando na cozinha, limpeza e outros serviços. Ali, a segurança não é feita por agentes penitenciários.

"Sou muito cético. Como juiz criminal, a gente vê como as coisas não funcionam, especialmente na execução criminal. Porém, no caso da APAC, é possível ver que as coisas dão certo e que podemos ajudar as pessoas, salvando vidas. Queremos que as mulheres possam cumprir a pena de forma digna e, com isso, também consigam se recuperar e recuperar suas famílias, em nome de uma sociedade melhor”, disse o juiz Alejandro Rayo, representando o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS).

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