A Câmara Municipal de Porto Alegre derrubou o veto do Executivo e garantiu a inclusão do Violentômetro como ferramenta pedagógica no programa de prevenção à violência contra a mulher nas escolas da rede municipal. A iniciativa faz parte de projeto de autoria da vereadora Vera Armando (PP), que busca ampliar ações de orientação e conscientização entre estudantes.
O projeto que amplia parcerias para combate à violência contra a mulher nas escolas municipais já havia sido sancionado pelo prefeito Sebastião Melo, autorizando o Município a firmar parcerias com universidades, entidades especializadas para fortalecer o Programa Municipal de Enfrentamento e Prevenção à Violência contra a Mulher nas escolas. No entanto, um dos pontos considerados centrais pela autora havia sido vetado: a utilização do Violentômetro como material educativo.
Com a decisão do Legislativo, o instrumento passa a integrar oficialmente as ações de prevenção desenvolvidas nas instituições de ensino. O Violentômetro é uma ferramenta visual e educativa que apresenta, em forma de escala, como a violência se manifesta e evolui dentro de um relacionamento. A proposta é mostrar que a violência não começa apenas com agressões físicas, mas surge antes, em sinais muitas vezes naturalizados pela sociedade, como ciúme excessivo, controle de roupas e amizades, manipulação emocional, humilhações e ameaças.
Para a vereadora Vera Armando, a presença do Violentômetro nas escolas contribui para ampliar a consciência sobre o problema e ajudar jovens a identificar comportamentos abusivos. Segundo ela, a escola tem papel fundamental na formação de uma cultura de respeito e prevenção.
“Ensinar desde cedo o que é limite, respeito e o que caracteriza a violência ajuda meninas a reconhecer sinais de perigo e ajuda meninos a romper padrões baseados no controle e na agressão”, afirmou.
Segundo a parlamentar, a derrubada do veto representa um avanço concreto na política de prevenção. “Derrubar esse veto é salvar vidas. É garantir que nenhum sinal de violência seja ignorado e transformar a educação em uma ferramenta de prevenção. As meninas e mulheres de Porto Alegre precisam disso”, concluiu.
•• Como funciona:
Os graus de violência são indicados por cores, do mais claro para o escuro, conforme a gravidade das situações:
• Amarelo – Sinais de alerta: ciúmes excessivos, controle de roupas e amizades, manipulação emocional, críticas constantes. São comportamentos que podem parecer "cuidados" no início, mas que já configuram violência psicológica.
• Laranja – Violência direta: xingamentos, ameaças, empurrões, destruição de objetos, humilhações públicas. Aqui, o abuso já está instalado de forma explícita.
• Vermelho – Perigo extremo: agressões físicas, estupro, cárcere privado, tentativa de feminicídio. São os níveis mais graves, que exigem intervenção urgente.
•• O Violentômetro será utilizado:
• Como material didático nas escolas, tanto para alunos quanto professores;
• Como ferramenta de capacitação dos profissionais da educação;
• Como instrumento de apoio na criação de um protocolo de encaminhamento de casos identificados no ambiente escolar.