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Casal de influenciadores digitais é preso em operação contra golpes em Canoas

Suspeitos teriam promovido rifas forjadas para mais de 2 milhões de seguidores nas redes sociais

Operação Dubai teve como alvo influenciadores digitais em Canoas
Operação Dubai teve como alvo influenciadores digitais em Canoas Foto : Polícia Civil / CP

Um casal de influenciadores digitais foi preso, na manhã desta terça-feira, em Canoas, na região Metropolitana. Eles foram alvo da Operação Dubai, deflagrada pela Polícia Civil em combate aos crimes de exploração de jogos de azar, contra a economia popular, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

A dupla teria promovido rifas forjadas para mais de 2 milhões de seguidores nas redes sociais. Na parte da tarde, os dois foram soltos após pagar fiança.

A ação foi coordenada pela 3ª DP de Canoas e pela Delegacia de Repressão ao Crime de Lavagem de Dinheiro (DRLD/Deic). Houve o cumprimento de 65 mandados de busca e apreensão em Canoas, Campo Bom, Novo Hamburgo, Balneário Camboriú (SC) e São Paulo.

Foram apreendidos 15 veículos de luxo, passaportes e dinheiro em espécie. Os influenciadores digitais foram presos em flagrante por posse irregular de arma de fogo, no condomínio onde moram, no bairro Estância Velha. O motivo foi a localização de uma pistola calibre 9 milímetros, que é arma de uso restrito, no interior de um cômodo.

Os suspeitos utilizavam as redes sociais para rifar apartamentos, casas, motos, jet skis, e carros no valor de até R$ 1 milhão. As cotas dos sorteios, entretanto, eram vendidas por valores irrisórios. Em um dos casos, a participação nas rifas chegou a ser oferecida por 10 centavos.

Entenda como funcionava o esquema

A Polícia Civil constatou que os prêmios até podiam ser entregues aos vencedores das rifas. O problema é que, na maioria das vezes, os sorteados eram amigos ou familiares do casal. Em outras palavras, o resultado dos bolões seria predeterminado para garantir a circulação do lucro sem procedência.

Os indícios de lavagem de dinheiro incluem movimentações milionárias nas contas dos suspeitos e utilização de um esquema de laranjas. A investigação apontou que os valores das rifas eram misturados com montantes vindos de outras empresas ligadas ao casal, mas os bens não estariam registrados em nome de nenhum deles.

A suspeita é que a mescla de capitais e a ocultação de ativos das rifas eram uma das táticas utilizadas pelos influenciadores digitais para maquiar dinheiro ilícito sem deixar lastros.

Quem são os suspeitos

O casal ostenta vida de luxo nas redes sociais, com viagens ao exterior e compra de imóveis de alto padrão. Ambos mantinham sites e contas para divulgação dos sorteios que ultrapassam 2 milhões de seguidores.

Um dos perfis é intitulado “prêmios oficial” e acumula 1,1 milhão de seguidores. Ali, está publicado que “mais de 1,5 mil prêmios já foram entregues em todo o Brasil” e que as ações seriam “100% legalizadas”.

A conta particular do homem o descreve como “criador de conteúdo automotivo”. Ele também diz ser proprietário de uma loja de suspensões para carros na avenida Boqueirão, em Canoas. O perfil dele soma mais de 310 mil seguidores.

A mulher é definida como “canceriana de 25 anos”. Ela diz ser dona de uma boutique, na avenida Doutor Sezefredo Azambuja Vieira, além de embaixadora de uma marca de produtos de beleza. Quase 370 mil pessoas a seguem nas redes.

Os demais seguidores da dupla estão distribuídos em perfis de outras supostas empresas. A ultima publicação deles ocorreu próximo às 1h.

“O resultado da brincadeira de hoje ficou para amanhã, obrigado pela compreensão”, diz a postagem.