A Polícia Civil informou na manhã desta quarta-feira o cancelamento da coletiva iria que revelar o resultado do exame toxicológico de Kerollyn Souza Ferreira, que foi encontrada morta dentro de um contêiner de lixo no início do mês em Guaíba. O motivo do cancelamento está na decretação de sigilo pelo Judiciário.
Os esclarecimentos do exame eram esperados porque poderiam confirmar que a menina teria sido dopada antes de morrer. Há uma semana, a mãe de Kerollyn, que está presa, teria admitido a policiais civis que medicava a filha com calmantes. Ela, no entanto, negou que tenha cometido o homicídio, ainda que seja a principal suspeita do crime.
A Kerollyn teria sido dopada com o medicamento clonazepam, que também é conhecido como Rivotril. O remédio é um ansiolítico com propriedades que inibem as funções do sistema nervoso central. A indicação do tratamento é para distúrbios como ansiedade, transtorno generalizado, síndrome do pânico, inquietação, entre outros. A compra só é possível por meio de receita médica, porque a droga gera dependência. Em caso de consumo em excesso ou mistura com outros químicos, há riscos de intoxicação.
A mulher teria dopado a filha em casa, por volta das 22h de quinta-feira. Ainda conforme relato dela, ao acordar na manhã seguinte, a criança não estava mais no imóvel. Ela disse ter ficado surpresa quando policiais militares foram até a porta da residência para informar que o corpo da filha havia sido localizado no lixo.
Quando questionada do porquê de drogar a filha, a mãe teria citado um suposto comportamento agressivo da menina como justificativa. A mulher alegou que a criança surtava, ficava violenta e parecia “endiabrada”, além de agredir os outros irmãos, de três, cinco e 13 anos. Na versão dela, era preciso dopar a menina, mesmo sem acompanhamento médico, para acalmá-la.
Pai tentava regularizar guarda de menina
O pai da vítima mora em Santa Catarina. Ele afirma que tentava regularizar a guarda unilateral da filha perante a Defensoria Pública e que teria feito pelo menos seis denúncias de negligência ao Conselho Tutelar de Guaíba.
Há pouco mais de dois anos, o homem chegou a registrar boletim de ocorrência por ameaça contra a ex-companheira, com quem teve um relacionamento de 2015 a 2018. O documento aponta que a mulher o teria ameaçado de morte, caso ele tornasse a procurar ajuda externa para a filha.
Vizinhos da mulher corroboram a versão. De acordo com eles, a menina passava frio, fome, pedia esmola na rua e era alvo de agressões. Os relatos também dão conta que a mãe da vítima faria uso de álcool e drogas, além de supostamente ser garota de programa.
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