Polícia

Decretação de sigilo gera cancelamento de coletiva do caso Kerollyn Ferreira em Porto Alegre

Menina de nove anos foi encontrada morta dentro de um contêiner de lixo

Caso Kerollyn Ferreira agora corre em segredo de Justiça
Caso Kerollyn Ferreira agora corre em segredo de Justiça Foto : Pedro Piegas

A Polícia Civil informou na manhã desta quarta-feira o cancelamento da coletiva iria que revelar o resultado do exame toxicológico de Kerollyn Souza Ferreira, que foi encontrada morta dentro de um contêiner de lixo no início do mês em Guaíba. O motivo do cancelamento está na decretação de sigilo pelo Judiciário.

Os esclarecimentos do exame eram esperados porque poderiam confirmar que a menina teria sido dopada antes de morrer. Há uma semana, a mãe de Kerollyn, que está presa, teria admitido a policiais civis que medicava a filha com calmantes. Ela, no entanto, negou que tenha cometido o homicídio, ainda que seja a principal suspeita do crime.

A Kerollyn teria sido dopada com o medicamento clonazepam, que também é conhecido como Rivotril. O remédio é um ansiolítico com propriedades que inibem as funções do sistema nervoso central. A indicação do tratamento é para distúrbios como ansiedade, transtorno generalizado, síndrome do pânico, inquietação, entre outros. A compra só é possível por meio de receita médica, porque a droga gera dependência. Em caso de consumo em excesso ou mistura com outros químicos, há riscos de intoxicação.

A mulher teria dopado a filha em casa, por volta das 22h de quinta-feira. Ainda conforme relato dela, ao acordar na manhã seguinte, a criança não estava mais no imóvel. Ela disse ter ficado surpresa quando policiais militares foram até a porta da residência para informar que o corpo da filha havia sido localizado no lixo.

Quando questionada do porquê de drogar a filha, a mãe teria citado um suposto comportamento agressivo da menina como justificativa. A mulher alegou que a criança surtava, ficava violenta e parecia “endiabrada”, além de agredir os outros irmãos, de três, cinco e 13 anos. Na versão dela, era preciso dopar a menina, mesmo sem acompanhamento médico, para acalmá-la.

Pai tentava regularizar guarda de menina

O pai da vítima mora em Santa Catarina. Ele afirma que tentava regularizar a guarda unilateral da filha perante a Defensoria Pública e que teria feito pelo menos seis denúncias de negligência ao Conselho Tutelar de Guaíba.

Há pouco mais de dois anos, o homem chegou a registrar boletim de ocorrência por ameaça contra a ex-companheira, com quem teve um relacionamento de 2015 a 2018. O documento aponta que a mulher o teria ameaçado de morte, caso ele tornasse a procurar ajuda externa para a filha.

Vizinhos da mulher corroboram a versão. De acordo com eles, a menina passava frio, fome, pedia esmola na rua e era alvo de agressões. Os relatos também dão conta que a mãe da vítima faria uso de álcool e drogas, além de supostamente ser garota de programa.

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