Polícia

Direção de presídio dá parecer contrário à ida de mãe presa por morte de filho ao velório em Viamão

Administração prisional cita riscos de segurança para negar saída extraordinária; defesa afirma que direitos constitucionais foram desconsiderados

A direção do Presídio Estadual Feminino Madre Pelletier se manifestou de forma contrária ao pedido para que a mãe do menino de 3 anos morto após sofrer agressões em Viamão seja autorizada a reconhecer o corpo e participar do sepultamento do filho. Em parecer encaminhado à Justiça, a administração da unidade apontou riscos à segurança em razão da repercussão do caso. A defesa contestou o posicionamento, sustentando que a medida viola direitos constitucionais e representa uma antecipação de pena.

Em ofício encaminhado ao juiz da 1ª Vara Criminal de Viamão, a direção da unidade prisional afirmou ser desfavorável à condução da presa para os atos fúnebres. O documento afirma que, diante do envolvimento da investigada em um caso de grande repercussão social, haveria potencialização de riscos à integridade física da custodiada, da equipe de escolta e à ordem pública, caso fosse autorizada a saída.

O documento também informa que, até aquele momento, a unidade prisional não havia recebido requisição da autoridade policial para os procedimentos envolvendo a vítima no Departamento Médico-Legal (DML).

Sob a mesma justificativa de segurança, a administração prisional confirmou a transferência da mulher para o Presídio Feminino de Guaíba.

Defesa pede autorização

Os advogados da investigada protocolaram pedido para que ela possa reconhecer o corpo do filho e acompanhar o sepultamento. Em nota, a defesa, representada por André von Berg, Isabel Cochlar e Juliana Braun Martins, afirma que os direitos constitucionais da cliente estão sendo desconsiderados e sustenta que a comoção provocada pelo caso não pode afastar o direito ao luto.

"Queremos registrar que os direitos constitucionais dela estão sendo desconsiderados. Ela é uma mãe cujo corpo do filho está no Instituto Médico Legal", pontua a advogada Isabel. "A comoção popular não afasta o direito de Oliver de ter a sua mãe no momento em que for enterrado. Da mesma forma, não afasta o direito de Mayanna, que não tem condenação contra si, apenas uma acusação de estar no momento final de seu filho", acrescenta.

Os advogados também criticam o argumento de segurança utilizado pelo sistema prisional para vetar a escolta até o Departamento Médico Legal (DML) e o sepultamento. Segundo a banca, “cabe ao Estado garantir a viabilidade da escolta e a integridade de todos os envolvidos, em vez de utilizar a própria incapacidade de garantir a segurança pública para restringir o direito ao luto”, afirmam em nota.

A defesa agora aguarda a manifestação do Poder Judiciário de Viamão sobre o pedido de liberação extraordinária para o reconhecimento do corpo e para o sepultamento de Oliver.

Caso segue sob investigação

A mulher foi presa preventivamente por suspeita de omissão na morte do filho de 3 anos. O pai da criança, um missionário norte-americano, já havia sido preso em flagrante e confessou à Polícia Civil ter agredido o menino. A investigação também apura o histórico da família em outros Estados brasileiros e aguarda informações solicitadas à Interpol sobre eventuais antecedentes do investigado nos Estados Unidos.

Até a manhã desta quinta-feira, não havia decisão judicial sobre o pedido de saída extraordinária para o reconhecimento do corpo e participação no velório.

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