Polícia

Estudante morta no Ceará respondia a processo judicial e era alvo de registro por estelionato no RS

Isabelle Caracristi respondia a processo ajuizado antes da morte em caso que envolve supostos investimentos e empréstimos que não teriam sido devolvidos à amiga de Santa Maria

Estudante de Direito morta em Fortaleza, no Ceará
Estudante de Direito morta em Fortaleza, no Ceará Foto : REDES SOCIAIS / CP

A estudante de Direito Isabelle Caracristi, de 22 anos, encontrada morta após cair do terraço de um prédio em Fortaleza, no Ceará, era alvo de uma ação cível e de um registro de ocorrência por estelionato no Rio Grande do Sul. Os casos tiveram origem em uma relação estabelecida pela internet com uma mulher de Santa Maria, na Região Central, que afirma ter feito transferências e emprestado dinheiro a Isabelle sem receber os valores de volta.

O registro policial foi feito em fevereiro de 2025, com fato registrado como estelionato. Na ocasião, a comunicante relatou que conheceu Isabelle por meio do TikTok e, posteriormente, passou a conversar com ela pelo WhatsApp.

Segundo o relato registrado, em agosto de 2024 Isabelle teria apresentado um suposto jogo como forma de investimento. A proposta, conforme a comunicante, era de que um depósito de R$ 200 resultaria em R$ 800 de retorno. No dia seguinte, teria sido solicitado outro depósito de R$ 200, com promessa de retorno de R$ 1 mil.

A mulher afirma ter realizado as duas transferências, mas não recebeu os valores prometidos. Após começar a cobrar explicações, a mulher diz que recebeu respostas sobre dificuldades para retirar o dinheiro e, posteriormente, teria emprestado mais R$ 180 a Isabelle. O valor também não teria sido devolvido.

A comunicante relatou ainda que, depois das cobranças, foi bloqueada nas redes sociais. O caso ficou a cargo da Polícia Civil, mas não há informações sobre o resultado das investigações.

Ação na Justiça cobra indenização

Além do registro policial, uma ação cível foi ajuizada pela mulher gaúcha contra Isabelle para buscar a reparação dos prejuízos. Conforme a advogada da autora, Paolla Pietro, o processo foi protocolado em junho de 2025, mais de um ano antes da morte da estudante.

A advogada afirmou que sua cliente conheceu Isabelle em julho de 2024, pelo TikTok. As duas passaram a conversar e desenvolveram uma relação de amizade antes da proposta de investimento.

Segundo Paolla, a ação foi apresentada depois que as tentativas de obter a devolução dos valores não tiveram resultado. “É uma ação simples, de reparação de danos. Todos os dias ajuizamos esse tipo de ação, mas nunca imaginamos que pudesse ter essa repercussão”, afirmou a advogada.

Ela disse ainda que Isabelle não havia sido citada no processo antes da morte. Dessa forma, segundo a advogada, não havia confirmação de que a estudante tivesse tomado conhecimento formal da ação na Justiça.

A advogada também informou que o processo corre em segredo de Justiça e que, por isso, não poderia detalhar o andamento da ação.

Investigação no Ceará

A existência do processo e do registro no Rio Grande do Sul veio a público em meio às novas informações sobre a morte de Isabelle, que é investigada pela Polícia Civil do Ceará.

A estudante foi encontrada morta em 13 de setembro, após cair do terraço do prédio onde morava em Fortaleza. A perícia informou inicialmente que os elementos analisados apontavam para uma precipitação voluntária. O namorado dela, João Munhoz Neto, foi preso preventivamente e é investigado pelas circunstâncias da morte e do relacionamento que mantinha com a jovem.

A morte da estudante ganhou repercussão depois que a mãe de Isabelle divulgou um vídeo dias depois, expondo a situação e cobrando justiça pela morte da filha.

A professora relatou que o último contato com Isabelle foi por meio de duas mensagens no WhatsApp no começo da noite de domingo. Em uma das mensagens, Isabelle pediu que a mãe olhasse uma comida que ela havia deixado na airfryer. Na outra, ela disse: “Mãe, eu te amo”.

A mãe de Isabelle relatou que não houve mais respostas para as mensagens enviadas e acreditava que o silêncio se devia ao fato de a filha estar dormindo.

Ao permanecer sem respostas da filha na manhã da segunda-feira (14), Isorlanda tentou contato com o namorado João Munhoz Neto por ligações e mensagens e descobriu ter sido bloqueada por ele. “Para a minha surpresa, eu estava bloqueada, eu fui tentar pelo Instagram dele, bloqueada. No outro Instagram pessoal, bloqueada. Totalmente bloqueada, bloqueada. Aí eu me desesperei”, relatou.

Isorlanda disse ainda que só soube da morte da filha quando foi acompanhada do filho e irmão de Isabelle, ao condomínio onde ela morava com o namorado, a sogra e um irmão dele. Isorlanda e o filho foram comunicados pela síndica que Isabelle tinha morrido na noite anterior.

Segundo a defesa de João Munhoz Neto, ele nega qualquer envolvimento na morte da jovem.

Veja Também