Nove suspeitos de integrar a facção V7 foram presos nesta quarta-feira durante a Operação Diffidere, na zona Sul de Porto Alegre. As diligências ocorreram na Vila Cruzeiro, somando efetivos da 6ª Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e Brigada Militar, como resposta a um ataque da quadrilha contra guarnições no início do ano. O bando também é investigado por assassinatos na região.
Em 24 de janeiro, soldados do 1º BPM foram alvejados em patrulhamento discreto na rua Belmonte de Macedo, na Vila Cantão, no bairro Nonoai. Houve confronto, com apoio da Força Tática, resultando na morte de um adolescente de 17 anos que somava registros por atos infracionais análogos aos crimes de homicídio, tráfico de drogas, roubo de carro e disparo em via pública, entre outros. Uma pistola de origem turca e uso restrito, calibre 9 milímetros, foi apreendida na ocasião.
A investigação aponta que o grupo criminoso ainda seria responsável por ao menos quatro execuções. Destas, uma foi registrada na rua Ursa Maior, na Vila Pedreira, onde um homem sofreu disparo de espingarda .12 no rosto, em 17 de janeiro. No dia seguinte, quase 20 criminosos armados retornaram ao local, baleando a perna de outro morador, que sobreviveu.
"Os criminosos desconfiavam que as vítimas pudessem repassar informações aos traficantes rivais, sem qualquer comprovação. Para se ter uma ideia, o sobrevivente da tentativa de homicídio é um jovem sem antecedentes nem envolvimento com o crime organizado”, pontuou a delegada titular da 6ª DHPP, Marcela Ehler, à frente dos trabalhos.
Protocolo contra homicídios atinge facção
A ofensiva mirou a gangue do traficante de apelido Messi. Ele seria um dos gerentes da facção V7, que é oriunda da Vila Cruzeiro do Sul, mas faz parte da coligação Anti-Bala, integrando o grupo Família do Sul, junto a criminosos de outras áreas da Capital.
Segundo o delegado e diretor do Departamento de Homicídios, Mario Souza, os investigados foram alvo de ação exclusivamente por causa dos assassinatos, com agravante do atentado aos PMs. O protocolo das sete medidas contra homicídios recai sobre a facção.
“A tentativa de homicídio contra os policiais foi um ato gravíssimo. Vamos responsabilizar os executores e, principalmente, os líderes da facção, que autorizaram isso. Todos serão punidos com prisões, prejuízo financeiro, revistas em presídios e transferências”, alertou o delegado Mario Souza.
Teoria da Dissuasão focada
O protocolo contra homicídios no Rio Grande do Sul tem como base a teoria da Dissuasão Focada, que visa reduzir crimes contra a vida, por meio da repressão seletiva de pessoas, no caso, as responsáveis por ordenar assassinatos. A ideia é influenciar mandantes para que eles não provoquem mortes, por meio da aplicação da lei, asfixia financeira e transferência de presos, entre outras medidas.
A técnica é do criminologista norte-americano David Kennedy, professor da Universidade de Nova York. Ele foi o responsável por aplicar o método nos Estados Unidos, tendo como principal exemplo Boston, onde houve redução brusca de homicídios em meados dos anos 1990.
Outro case de sucesso é a Colômbia. Após a prática da dissuasão focada, Medellín alcançou o menor nível de violência em 40 anos.
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