Polícia

Familiares de presos reivindicam condições dignas em unidades prisionais

Centenas de pessoas cobram melhorias e permissão de entrada de itens em unidades penitenciárias do Estado

Grupo se organiza para permanecer no local até que suas demandas sejam atendidas
Grupo se organiza para permanecer no local até que suas demandas sejam atendidas Foto : Fabiano do Amaral

Desde o meio da manhã desta segunda-feira, centenas de pessoas, incluindo crianças, participam de uma manifestação na Praça da Matriz, no Centro de Porto Alegre. A multidão é formada por familiares de presos, a maioria mulheres, que reivindicam melhores condições para detentos, visitantes e funcionários das instituições prisionais. Eles esperam ser atendidos pelo governador, Eduardo Leite.

Entre as demandas estão o retorno de cantinas e a instalação de geladeiras para o armazenamento de alimentos, além de ventilação adequada na Cadeia Pública de Porto Alegre. “Nós estamos reivindicando não só por nós, como visitas, mas também os presos e os funcionários que querem um lugar hapto para trabalhar”, revela G.Y., um dos manifestantes que não quis se identificar.

Os manifestantes relatam forte cheiro de comida estragada nas unidades, já que, a entrada de alimentos só é permitida uma vez na semana e sem ter onde armazenar, acabam estragando. “As pessoas falam que são os próprios internos que fazem a comida, mas o horário que eles cozinham é a noite. Essa comida passa toda a noite naquele calor e fora da geladeira. É claro que vai estragar”, reclama P.S., outro familiar de preso que também prefere o anonimato.

O ato reuniu familiares de pessoas que cumprem pena de reclusão em diferentes unidades prisionais de diversas regiões do Estado. Na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc), por exemplo, insatisfação é referente ao encerramento das cantinas, que faziam, armazenavam e serviam o alimento àqueles que cumprem pena na unidade.

Os familiares reclamam que o fim do estabelecimento e a limitação da entrada de até cinco itens por preso na visita semanal dificultam o acesso dos detentos à alimentação adequada além de itens de higiene e roupa. Alguns afirmam que as vestimentas teriam sido confiscadas para a implementação de uniformes, que ainda não foram disponibilizados aos presos.

“Não estamos pedindo para o Estado providenciar. Nós mesmos estamos dispostos a doar esses itens, só queremos a permissão para entrar”, argumenta P.S., que reclama que em uma das unidades, o teto de zinco faz a temperatura interna da estrutura chegar aos 45ºC em dias de calor. Os familiares que compartilham desse relato se organizam para a compra e entrega de ventiladores para a unidade prisional.

O grupo de centenas de pessoas, que se reúne na praça desde as 10h, se prepara para passar a noite no local, onde pretende permanecer até que tenham suas demandas atendidas. A movimentação causa lentidão no trânsito no entorno do Palácio Piratini. Agentes da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) fazem a gestão do tráfego no local. O grupo também conta com advogados e representantes legais das famílias.

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