Desde o meio da manhã desta segunda-feira, centenas de pessoas, incluindo crianças, participam de uma manifestação na Praça da Matriz, no Centro de Porto Alegre. A multidão é formada por familiares de presos, a maioria mulheres, que reivindicam melhores condições para detentos, visitantes e funcionários das instituições prisionais. Eles esperam ser atendidos pelo governador, Eduardo Leite.
Entre as demandas estão o retorno de cantinas e a instalação de geladeiras para o armazenamento de alimentos, além de ventilação adequada na Cadeia Pública de Porto Alegre. “Nós estamos reivindicando não só por nós, como visitas, mas também os presos e os funcionários que querem um lugar hapto para trabalhar”, revela G.Y., um dos manifestantes que não quis se identificar.
Os manifestantes relatam forte cheiro de comida estragada nas unidades, já que, a entrada de alimentos só é permitida uma vez na semana e sem ter onde armazenar, acabam estragando. “As pessoas falam que são os próprios internos que fazem a comida, mas o horário que eles cozinham é a noite. Essa comida passa toda a noite naquele calor e fora da geladeira. É claro que vai estragar”, reclama P.S., outro familiar de preso que também prefere o anonimato.
O ato reuniu familiares de pessoas que cumprem pena de reclusão em diferentes unidades prisionais de diversas regiões do Estado. Na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc), por exemplo, insatisfação é referente ao encerramento das cantinas, que faziam, armazenavam e serviam o alimento àqueles que cumprem pena na unidade.
Os familiares reclamam que o fim do estabelecimento e a limitação da entrada de até cinco itens por preso na visita semanal dificultam o acesso dos detentos à alimentação adequada além de itens de higiene e roupa. Alguns afirmam que as vestimentas teriam sido confiscadas para a implementação de uniformes, que ainda não foram disponibilizados aos presos.
“Não estamos pedindo para o Estado providenciar. Nós mesmos estamos dispostos a doar esses itens, só queremos a permissão para entrar”, argumenta P.S., que reclama que em uma das unidades, o teto de zinco faz a temperatura interna da estrutura chegar aos 45ºC em dias de calor. Os familiares que compartilham desse relato se organizam para a compra e entrega de ventiladores para a unidade prisional.
O grupo de centenas de pessoas, que se reúne na praça desde as 10h, se prepara para passar a noite no local, onde pretende permanecer até que tenham suas demandas atendidas. A movimentação causa lentidão no trânsito no entorno do Palácio Piratini. Agentes da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) fazem a gestão do tráfego no local. O grupo também conta com advogados e representantes legais das famílias.