Polícia

Familiares de presos seguem acampados na Praça da Matriz

Grupo reivindica entrada de alimentos e condições melhores para visitas na Pasc

Com camisas, cartazes e cornetas, movimento segue sem acordo com governo
Com camisas, cartazes e cornetas, movimento segue sem acordo com governo Foto : Mauro Schaefer

Acampados desde a manhã de segunda-feira na Praça da Matriz, no Centro de Porto Alegre, um grupo de aproximadamente 100 pessoas, a maioria mulheres, protesta contra medidas do governo estadual para a gestão das unidades prisionais. Entre as pautas estão a possibilidade de levar comida e itens pessoas para os presos em visitas, a implementação de vestimenta adequada e o encerramento de cantinas.

Um dos integrantes do movimento, R.S., que não quis ser identificado, explica que o governo distribuiu uma muda de uniforme para cada preso da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc) e, a partir da mudança, a alimentação dos apenados deve ser feita exclusivamente com os alimentos produzidos lá. “Infelizmente é uma questão de tempo porque o Estado não vai conseguir manter tantos uniformes, assim como não vão conseguir manter a alimentação deles”, argumenta.

De acordo com os manifestantes, na tarde de ontem foi realizada uma reunião para negociar o fim do protesto, que acabou sem um acordo. Eles relatam reivindicação foi acolhida por representantes do governo. Na manhã desta quarta-feira, duas pessoas serão ouvidas na Assembleia Administrativa sobre o tema. O movimento convocou todos os familiares de apenados para se concentrar na praça entre amanhã e quinta-feira, ou até que suas demandas sejam recebidas.

Entre as principais reivindicações do grupo estão uma solução para a alimentação dos presos, considerada por muitos advogados e manifestantes como insuficiente e uma alternativa aos uniformes para uso interno nas unidades penitenciárias.

“Agora que deram roupas para eles usarem lá dentro, confiscaram todas as outras roupas deles, os lençóis, cobertores… E quando precisa lavar aquela única muda de roupa, eles não tem o que usar”, lamenta G.L., familiar de um apenado que também não quis se identificar

Com relação a dia anterior, o grupo reduziu significativamente em número. No entanto, de longe era possível escutar assovios, apitos e cornetas dos manifestantes que se concentravam com cartazes em frente ao Palácio Piratini. A movimentação causou interrupções no trânsito. Agentes da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) fazem a gestão do tráfego no local.