Familiares, amigos e colegas da professora Jaqueline Araújo dos Santos, 46 anos, vítima de feminicídio em maio de 2024, estiveram na manhã desta quinta-feira em frente ao Fórum de Sapucaia do Sul, realizando uma manifestação na busca por Justiça. O denunciado pelo crime, o marido e policial militar, está sendo julgado pelo Conselho do Júri, na Comarca do município. Seis testemunhas estão arroladas para serem ouvidas em plenário. O julgamento é presidido pela Juíza de Direito Greice Moreira Pinz, da 1ª Vara Criminal.
A filha do casal, Giovana dos Santos, disse que sente muita revolta com tudo que presenciou no casamento dos pais. "Ela estava lá em todos os momentos que ele precisou e quando descobriu que ele tinha outra família ela quis ir embora. Mas ainda assim, eles tentaram uma reconciliação, ela insistiu por muito tempo. Só que ele decidiu que iria acabar com tudo. Tirou a oportunidade dela de ter uma vida. No dia do crime ela estava com as malas prontas."
Amável, atenciosa e carinhosa são os adjetivos usados pelos amigos para descrever Jaqueline. "Ela era uma pessoa que amava viver, cheia de vida. Ela gostava do colorido, gostava de datas, de reunir a família. Ela não merecia isso. Ela só queria ir embora. Ela só queria viver. Depois de tanto tempo, ela queria se libertar, mas não teve tempo", disse a cunhada Léia Santos.
A professora Ana Paula Ferreira da Silva, que trabalhava na mesma escola que Jaqueline, se emocionou ao falar da amiga, da falta de que ela faz no ambiente escolar e na vida das pessoas. "Ela era uma pessoa maravilhosa, super-humana, uma mãe exemplar. Levamos um choque quando ficamos sabendo da notícia. É muito triste perder uma colega dessa forma. A gente trabalha muito essas questões dentro da sala de aula e quando a gente perde uma colega, sentimos que falhamos em algum momento. Nós não enxergamos o problema e não conseguimos ajudar a tempo."
Ana Paula disse ainda que a violência muitas vezes pode estar do lado da casa. "Pode estar acontecendo com uma vizinha ou com uma amiga, alguém da família. E a gente, pela correria do dia a dia, não percebe. E é importante nós termos essa rede de apoio. Se apoiar umas nas outras para enfrentar essa onda de violência. Hoje eu sinto dor."
ENTENDA O QUE ACONTECEU
Jaqueline foi morta com um tiro na cabeça na noite de 13 de maio de 2024, na casa onde morava com a família, na Rua Rio Claro, no Bairro Ipiranga. Para o Ministério Público, o crime foi praticado mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, uma vez que o réu matou a mulher quando se encontrava sozinho com ela em casa, o que teria reduzido as chances de reação e fuga.
- Câmara aprova crime de “homicídio vicário” com pena de até 40 anos de prisão
- "Toda mulher casada deve ser submissa", disse coronel à PM dois dias antes da morte dela
- Tenente-coronel indiciado na morte de esposa PM é preso em São Paulo
- Mulher é morta a facadas em Esteio e Rio Grande do Sul chega ao 23º feminicídio em 2026