Polícia

Governo inaugura primeira sede administrativa própria da Policia Penal em Porto Alegre

Complexo de 5 mil m² na Bento recebeu investimento de R$ 41,9 milhões e abrigará 400 servidores da instituição

O complexo fica na avenida Bento Gonçalves, na área do antigo Instituto Psiquiátrico Forense Doutor Maurício Cardoso
O complexo fica na avenida Bento Gonçalves, na área do antigo Instituto Psiquiátrico Forense Doutor Maurício Cardoso Foto : Mauro Schaefer

A Polícia Penal do Rio Grande do Sul inaugurou nesta quinta-feira sua primeira sede administrativa própria, em Porto Alegre. Com investimento de R$ 41,9 milhões, o complexo foi construído na área do Instituto Psiquiátrico Forense Doutor Maurício Cardoso (IPF), na avenida Bento Gonçalves, no bairro Partenon.

Com mais de 5 mil metros quadrados, a estrutura foi projetada para abrigar cerca de 400 servidores. O espaço, que começou a ser construído em setembro de 2025, reúne salas técnicas, ambientes de apoio, alojamentos e áreas administrativas destinadas às diferentes atividades da instituição.

A cerimônia contou com a presença do governador Eduardo Leite e de representantes de instituições da área da segurança e da Justiça. O titular da Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo (SSPS), Cesar Atilio Kurtz Rossato, destacou que o caminho até a nova sede própria foi marcado por mudanças e perdas de estruturas: parte da administração da então Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) funcionava no antigo prédio da Secretaria da Segurança Pública (SSP), na rua Voluntários da Pátria, destruído por um incêndio em 2021; depois, a instituição ganhou uma sede na avenida Sertório, atingida pela enchente de maio de 2024.

“A Constituição do Estado do Rio Grande do Sul colocou a Polícia Penal ao lado da Brigada Militar, da Polícia Civil, do IGP e do Corpo de Bombeiros. Cada instituição com suas respectivas casas. A nós faltava. Não falta mais”, afirmou Rossato.

O superintendente da Polícia Penal, Sérgio Ilha Dalcol, destacou avanços na estruturação da instituição, como a aprovação do Estatuto da Polícia Penal, em dezembro de 2025, e o maior chamamento de servidores de sua história. Segundo ele, a sede própria representa mais um passo na consolidação, expansão e modernização da Polícia Penal.

Rossato ressaltou ainda o papel da Polícia Penal na segurança pública e no processo de reinserção social das pessoas privadas de liberdade. Dalcol também dimensionou a estrutura do sistema prisional gaúcho, que reúne mais de 58 mil presos em 104 estabelecimentos, conta com mais de 7 mil servidores e movimenta um orçamento superior a R$ 2 bilhões.

“Nossa missão é relevante para a sociedade, mesmo quando ela não aparece ou não é tão percebida quanto desejamos. A segurança pública não termina na porta de entrada de um estabelecimento prisional. Ali apenas começa outra fase”, afirmou Rossato.

Leite comenta possibilidade de extinção da SSPS

O governador eleito Luciano Zucco anunciou que pretende reunificar a partir de janeiro de 2027 a SSPS com a SSP, revertendo a separação promovida por Leite em 2018. Para a chefia da pasta foi anunciado Mauro Sinott Lopes, que atuou na intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro e comandou a 3ª Divisão do Exército, em Santa Maria. Seu adjunto será Mário Ikeda, atual titular da pasta na gestão de Leite.

Durante o evento desta quinta-feira Leite afirmou que considera acertada a decisão de dar ao sistema prisional uma secretaria própria. Segundo ele, a separação permitiu direcionar investimentos e evitar que as demandas da Polícia Penal disputassem recursos e atenção com as demais forças de segurança. Na avaliação do governador, a separação foi importante para recuperar o sistema prisional gaúcho, que acumulava uma grande defasagem de investimentos.

“Nós conseguimos evoluir muito com a estrutura que nós demos, com a Secretaria do Sistema Penal especificamente, porque o tamanho da defasagem que a gente tinha do investimento no sistema prisional gaúcho era tão grande que colocar essa carga da administração na mesma Secretaria de Segurança Pública acabaria gerando um desafio adicional”, defendeu eite.

Ele destacou que respeita a decisão de Zucco e a autonomia do futuro governo para definir a organização administrativa do Estado, mas apontou preocupação de que com a reunificação, as demandas do sistema prisional passem a disputar atenção e recursos com as demais forças de segurança e acabem ficando em segundo plano.

Isso porque, segundo ele, investimentos no sistema prisional têm menos apelo popular e, quando disputam espaço com recursos destinados ao policiamento ostensivo e investigativo, essas áreas tendem a ser priorizadas por serem mais diretamente percebidas pela sociedade.

O governador, porém, ressaltou que a estrutura prisional é parte fundamental da política de segurança pública. Ele aponta que a falta de presença e organização do Estado dentro dos presídios faz com que a privação de liberdade não aconteça de forma efetiva nem se cumpra o papel da ressocialização.

“Se queremos uma sociedade mais segura aqui fora, é fundamental que lá dentro o Estado tenha condições de manter um sistema prisional bem organizado”, disse Leite.

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