Polícia

Grupo ocupa prédio de antiga escola no bairro Rio Branco, em Porto Alegre

Ação ocorreu na manhã deste sábado; Brigada Militar e Guarda Municipal isolam área e restringem acesso ao local

Local da ocupação foi isolado pela Brigada Militar
Local da ocupação foi isolado pela Brigada Militar Foto : Alina Souza

Um grupo de mulheres realizou a ocupação de um prédio onde funcionava uma antiga escola na manhã deste sábado, na rua Cabral, no bairro Rio Branco, em Porto Alegre.

A mobilização é organizada pelo Movimento de Mulheres Olga Benário. Segundo o grupo, a ação integra uma jornada nacional de mobilizações que ocorre neste sábado em diversas cidades do país.

No local ocupado funcionava anteriormente um abrigo voltado ao atendimento de mulheres em situação de violência. De acordo com o movimento, a iniciativa busca chamar atenção para a necessidade de mais estruturas de acolhimento e políticas de enfrentamento à violência contra mulheres, além de denunciar o fato de que o Estado já registrou 21 feminicídios em 2026.

Equipes da Brigada Militar e da Guarda Municipal de Porto Alegre foram deslocadas para a região e realizam o isolamento do perímetro. O acesso ao prédio está restrito, e a entrada de outras pessoas, incluindo a imprensa, não foi permitida. A situação é questionada pelo grupo, que alega ter sido proibida a entrada de alimentos e, novos apoiadores e, inclusive, de advogados

Por volta das 10h, era possível observar funcionários públicos conversando com integrantes do grupo em frente ao imóvel. Já no início da tarde, em vídeo divulgado nas redes sociais, organizadoras afirmaram que estavam indo até a prefeitura, acompanhadas de advogadas. para abrir negociações.

A Prefeitura de Porto Alegre se manifestou através de nota (confira no final do texto), afirmando que mantém tratativas “para que a desocupação do imóvel da rua Cabral ocorra de forma pacífica”. Também defendeu que o município dispõe de equipamentos específicos com infraestrutura adequada para receber mulheres e seus filhos.

Além disso, conforme a nota, o prédio que era ocupado anteriormente pelo Mirabal na rua Souza Reis deveria ter sido desocupado no dia 4 de março, o que não teria ocorrido e, por isso, a prefeitura ingressará junto ao Judiciário com um pedido de desocupação.

A ocupação ocorre no mesmo dia em que o movimento promove mobilizações em diferentes cidades do país com pautas relacionadas ao combate à violência contra mulheres. Até o momento, não há informação sobre eventual prazo para desocupação do local.

Veja Também

Confira na íntegra a nota da Prefeitura:

"A Prefeitura de Porto Alegre dialoga e mantém tratativas para que a desocupação do imóvel da rua Cabral, 621, ocorra de forma pacífica.

O município disponibiliza a Rede Conta Comigo, uma estrutura especializada de atendimento e acolhimento às mulheres em situação de violência. A rede integra serviços das áreas de assistência social, saúde e políticas para as mulheres, oferecendo orientação, acompanhamento psicossocial e encaminhamentos para proteção e garantia de direitos às vítimas.

O Centro de Referência e Atendimento à Mulher Márcia Calixto (CRAM) oferece escuta qualificada e acolhimento para mulheres em situação de violência a doméstica ou de gênero, por meio de uma equipe multidisciplinar que realiza atendimentos nas áreas de psicologia, serviço social e orientação jurídica, auxiliando as vítimas no acesso à rede de proteção. O CRAM está localizado na Avenida João Pessoa, Av. João Pessoa, 1105, Sala 103, e pode ser acessado de segunda a sexta-feira.

Para o acolhimento emergencial, o município dispõe de equipamentos específicos com infraestrutura adequada para receber mulheres e seus filhos:

*Casa Betânia* – A residência possui 21 suítes para acolhimento, com capacidade para até 84 mulheres e seus filhos. Em 2025, a Casa Betânia acolheu 276 mulheres, 143 crianças e 34 adolescentes, totalizando 453 atendimentos ao longo do ano.

*Casa Viva Maria* – Em funcionamento há mais de 30 anos, o espaço foi reaberto na semana passada, após melhorias na estrutura. Com capacidade para 33 pessoas, oferece acolhimento para mulheres e seus filhos menores, garantindo proteção e apoio para a reconstrução de suas vidas longe da violência.

*Rua Cabral* – O imóvel onde funcionava a antiga Casa Violeta, na rua Cabral, 621, integra o patrimônio público municipal e está reservado para receber um novo equipamento de assistência social voltado ao acolhimento de imigrantes.

*Movimento Mirabal* – Em relação ao prédio localizado na rua Souza Reis, anteriormente ocupado pelo movimento Mirabal, a decisão judicial já transitou em julgado. O movimento havia concordado, no ano passado, em desocupar o imóvel até 4 de março de 2026, o que não ocorreu.

Diante do descumprimento, a Prefeitura ingressará junto ao Judiciário com pedido de mandado de desocupação.”