A Polícia Civil concluiu a investigação e indiciou um homem de 49 anos por homofobia, perseguição e vias de fato contra um vizinho de condomínio na região central de Porto Alegre. O suspeito está preso preventivamente desde 9 de setembro. O inquérito foi encaminhado à Justiça.
Segundo a investigação, os conflitos começaram após o homem passar a morar no condomínio, em março de 2025. A vítima, síndico e professor universitário, teria cobrado a regularização de obras realizadas no imóvel, além do cumprimento de outras regras do prédio. As desavenças teriam evoluído para perseguições, agressões e ofensas de cunho homofóbico.
O homem foi indiciado pelos crimes de injúria homofóbica e homofobia, além de perseguição e vias de fato. O inquérito foi remetido ao Judiciário e agora cabe ao Ministério Público analisar o caso. O órgão pode apresentar denúncia, pedir novas diligências à Polícia Civil ou solicitar o arquivamento.
Entenda
Em um dos episódios relatados à polícia, a vítima teria sido agarrada e empurrada contra o batente de uma porta, sofrendo uma lesão no braço. Em outras ocasiões, testemunhas afirmaram ter presenciado o investigado perseguindo o síndico pelas escadas e áreas do condomínio e proferindo xingamentos homofóbicos.
A investigação também apura um episódio em que o homem teria encurralado a vítima contra uma parede e simulado retirar uma faca de dentro da roupa. Conforme o depoimento, o suspeito ainda teria usado um celular para golpeá-la na cabeça, causando dores e uma lesão no braço.
Três moradores do condomínio foram ouvidos e, segundo a Polícia Civil, confirmaram episódios de perseguição, ameaças e ofensas homofóbicas contra a vítima e outros moradores. Uma das testemunhas relatou ter ouvido o investigado dizer que aquela seria a "última filmagem" que a vítima faria. A polícia considerou a fala como uma ameaça de morte.
Segundo a Polícia Civil, o investigado possui antecedentes por crimes como tentativa de roubo, tráfico de drogas, ameaça, injúria, dano, desobediência e lesão corporal. Ele cumpriu 15 anos de prisão por crimes como latrocínio tentado, roubo e tráfico de drogas e foi solto em 2024.