Uma rede de barbearias foi alvo do Departamento de Repressão ao Narcotráfico (Denarc) na Operação El Patron, deflagrada nesta quinta-feira, no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro. A suspeita é que o empreendimento tenha movimentado R$ 20 milhões do tráfico de drogas. Três irmãos comandariam o esquema, em parceria com um líder de facção. Até o momento, dez pessoas foram presas.
Cerca de 300 policiais civis efetuaram diligências em Viamão, Novo Hamburgo, Cachoeirinha, Gravataí, Alvorada, Nova Santa Rita, Portão, Canoas e São Leopoldo. Ações também ocorreram nas capitais gaúcha e carioca, onde há unidades da empresa.
Foram cumpridos 55 mandados de busca e apreensão, 18 ordens de prisão e o bloqueio de R$ 5 milhões nas contas dos investigados. Também houve a indisponibilidade de dois imóveis e de 26 veículos de luxo.
“A operação de hoje reforça a diretriz da Polícia Civil em combater os grupos criminosos com atuação no RS, mantendo a tendência de queda nos índices de criminalidade no estado", enfatizou o diretor-geral do Denarc, delegado Carlos Wendt.
Cartel de barbearias
Dos três irmãos investigados, dois foram presos. Um deles foi preso em um condomínio de alto padrão, no bairro Jardim Leopoldina, na zona Norte de Porto Alegre. Outro, foi detido em Copacabana.
O único irmão que ainda é procurado, viajou aos Estados Unidos antes da ofensiva. Agentes do FBI e policiais gaúchos estão em tratativas para definir a captura dele.
O trio é conhecido como irmãos Fernandes. A rede de barbearias é chamada por eles de ‘cartel’. Os três chegaram a ser presos, também por lavagem de dinheiro, em maio do ano passado.
Telentrega de drogas
Um quarto suspeito foi preso na zona Sul do RJ. Conhecido como LK, ele seria liderança de uma facção com base no Vale do Sinos.
O delegado Gabriel Borges, que coordenou a ação, destaca que LK estava foragido. "Ele fugiu após receber progressão de pena. A recaptura ocorreu na Barra da Tijuca, onde levava uma vida de luxo financiada pelo tráfico”, disse Borges, que é titular da 3ª Delegacia de Investigação do Narcotráfico.
A investigação aponta que LK chegou a gastar até R$ 150 mil por mês, ao mesmo tempo em que ocultava valores do tráfico nas barbearias. A rede seria fachada de uma telentrega de entorpecentes, definida pelo Denarc como a maior de Porto Alegre.
O delivery operava 24 horas por dia, na Capital e região Metropolitana, com ramificações no litoral Norte. Havia cerca de 20 pontos de entrega e grupos de WhatsApp, onde usuários faziam encomendas. O público consumir, segundo o Denarc, era de alto poder aquisitivo.
"Conduzimos trabalhos investigativos sempre direcionando ferramentas tecnológicas para identificar, delimitar e mapear complexos esquemas de lavagem de dinheiro, responsabilizando criminalmente as grandes lideranças do crime organizado e enfraquecendo o patrimônio das facções”, afirmou o diretor de investigações do Denarc, delegado Alencar Carraro.